quarta-feira, maio 26, 2004

F. C. Porto Campeão Europeu Crónica do site da UEFA

Dezassete anos depois de ter ganho a Taça dos Clubes Campeões Europeus, o FC Porto conquistou a UEFA Champions League, ao bater o AS Monaco FC, no Arena AufSchalke, por 3-0. Os "azuis-e-brancos" tornam-se, assim, na segunda equipa da história a conquistar a Taça UEFA e a mais importante competição europeia de clubes em duas épocas consecutivas (depois de o Liverpool o ter conseguido na década de 70).

Equipas em 4-4-2
O jogo não teve um período de estudo mútuo com as duas equipas a provarem que vinham bem ensinadas dos balneários. José Mourinho e Didier Deschamps não apresentaram surpresas nos respectivos “onzes” titulares. Os campeões nacionais surgiram com o habitual 4-4-2, com Derlei e Carlos Alberto a relegarem Benni McCarthy para o banco de suplentes. Do lado dos franceses, o capitão Ludovic Giuly apareceu ao lado de Fernando Morientes, formando uma dupla de ataque.

Baía salva

O Mónaco começou melhor e, ao contrário do que é costume, o FC Porto pareceu algo nervoso nos momentos iniciais. Como resultado dessa entrada menos boa, logo aos 3 minutos,
Lucas Bernardi recuperou a bola no meio-campo, Edouard Cissé lançou Giuly em velocidade, mas Vítor Baía saiu muito bem da área e afastou o perigo com os pés quando o capitão do Mónaco estava isolado.

Carlos Alberto aproveita

Aos 39 minutos, Paulo Ferreira centrou para a zona da marca da grande penalidade, Givet não consegue o alívio e Carlos Alberto, aproveitando o ressalto, toca de pé direito para o fundo da baliza. Aos 19 anos, o jovem brasileiro tornou-se no terceiro mais novo marcador em finais da Liga dos Campeões e logo com o seu primeiro golo nas competições europeias.

Jogo de banco

Mourinho fez entrar Alenichev para o lugar de Carlos Alberto na tentativa de reconquistar o meio-campo e Deschamps respondeu com a entrada do ponta-de-lança Shabani Nonda para o lugar de Cissé. O FC Porto só precisava de uma oportunidade para sair em contra-ataque e decidir o jogo.

Deco aumenta

E foi na sequência de uma rápida contra-ofensiva que o FC Porto elevou para 2-0. Aos 71 minutos, Pedro Mendes recuperou a bola à entrada da área portista, lançou Deco que saiu do seu meio-campo com a bola controlada e assistiu Alenitchev no flanco esquerdo. O russo devolveu o passe ao luso-brasileiro que, já dentro da área, atirou com calma e classe para o canto direito da baliza de Roma.

Alenitchev confirma

Quatro minutos mais tarde, os "dragões" confirmaram a superioridade técnica e táctica, desta vez com Alenitchev a finalizar. Um centro de Derlei bateu em Squillaci e o ressalto sobrou para o internacional russo, que disparou fortíssimo estabalecendo o resultado final.

Festa portuguesa

A festa "azul-e-branca" tomou conta das bancadas e, apesar dos últimos esforços dos franceses, o FC Porto aproveitou os útlimos minutos para saborear mais um triunfo histórico.

In: http://pt.uefa.com/competitions/UCL/fixturesresults/round=1716/match=1065206/Report=RP.html

José Mourinho nas nuvens

"O meu futuro vai ser decidido nos próximos dias. Não tenho qualquer acordo ou pré-acordo com qualquer clube. Contudo, posso dizer que a minha vontade é sair"

Depois de mais uma importante vitória pelo FC Porto, o treinador dos "azuis-e-brancos" decidiu partilhar a festa com a família, abraçando-se aos filhos e à mulher logo a seguir ao apito final do árbitro. Em declarações depois do jogo, José Mourinho mostrou-se muito feliz com a conquista de mais um troféu ganho ao serviço do FC Porto.

Celebrar com a família

"Assim que o jogo terminou pude celebrar a vitória com a minha família, o que foi fantástico. É um momento de extrema alegria para mim e para os meus jogadores", começou por revelar o técnico dos "dragões", acrescentando que "houve uma altura em que Deschamps teve de arriscar, ao fazer entrar Nonda. Ainda assim, com a entrada de Alenitchev, a partida ficou equilibrada".

Momento-chave

Visivelmente feliz com esta nova vitória, José Mourinho revelou: "Sentimos que o jogo poderia estar decidido quando fizemos o segundo golo e a partir dessa altura gerimos da melhor forma a partida".

Tempo para celebrar

No que toca ao seu futuro, o técnico sublinhou: "Agora é altura de celebrar e há tempo para falar sobre isso", ressalvou, acrescentando: "A vida de um treinador e de um clube é marcada por estes momentos. Há altos e baixos, e sei que um dia as coisas me vão correr menos bem, contudo, estou preparado para isso".

Em sonhos

Por outro lado, o capitão dos portistas revelou: "Era impossível prever que isto poderia acontecer ao FC Porto. É óbvio que sonhava com este momento mas nunca me passou pela cabeça que pudesse acontecer. Esta grande vitória é resultado do excelente trabalho desenvolvido neste clube, a todos os níveis e sinto-me neste momento capitão da melhor equipa da Europa".

'Classe veio ao de cima'

O guarda-redes do FC Porto rubricou uma excelente exibição na final de Gelsenkirchen e, segundo o jogador, “tivemos a sorte do jogo na primeira parte. Contudo, no segundo tempo, fomos superiores e a classe dos nossos jogadores veio ao de cima. A conquista da Liga dos Campeões é um momento fantástico para todos nós, revelou Vítor Baía.

'Sensação única'

Para Deco, um dos melhores elementos em campo do lado dos portistas, “o jogo ficou decidido quando marquei o golo. Conquistar este troféu é um momento mágico e uma sensação única. Trata-se do máximo que um jogador pode obter a nível de clubes. Não contava com este desfecho no início da época mas sabia que a nossa equipa tinha qualidade para chegar aqui”.

A bandeira de Portugal

Segundo Derlei, “a bandeira de Portugal está no topo da Europa. Realizámos uma época sensacional e a conquista da Liga dos Campeões é o corolário do trabalho realizado. A equipa trabalhou muito para chegar aqui e estamos todos de parabéns”, referiu o atacante brasileiro, acrescentando: “Espero agora que os portugueses celebrem novamente no EURO 2004™ com a vitória da selecção portuguesa.

In: http://pt.uefa.com/competitions/UCL/news/Kind=512/newsId=182603.html

VIVA AO F. C. PORTO CAMPEÃO EUROPEU DE CLUBES 2004

A Europa é nossa! Depois da brilhante conquista na Taça UEFA da temporada passada, o F.C. Porto venceu a UEFA Champions League 2003/04, numa prova de classe, dedicação e qualidade. Num ambiente fantástico, num estádio a ferver, a equipa de José Mourinho fez pura magia, foi inteligente e não deu hipótese. Com a uma frieza perfeita, instinto apurado e muita classe, despachou o Mónaco com um marcador robusto. A Invicta pode festejar. O título é azul e branco!

Não dá para falar de futebol num momento como este. Podíamos consumir um par de parágrafos a dizer que o F.C. Porto foi a equipa mais madura, jogou com mais cabeça, circulou a bola quando teve de circular, foi letal na hora de golpear o oponente. Era quase obrigatório resumir esta crónica ao labor e à mestria de uma equipa que já entrou para a história, que assinou dois anos verdadeiramente inesquecíveis, que nos fez sonhar!

Mas não! Hoje é só emoção. Neste momento, a festa avança ao ritmo do teclado, num orgulho inigualável. Carlos Alberto, Deco e Alenitchev desenharam os contornos da façanha. Tiveram nas suas mãos milhões de corações, chamaram a si a responsabilidade de decidir, não titubearam na hora de ser felizes.

O F.C. Porto não pestanejou durante toda a partida. Nem quando viu que o Mónaco estava a jogar prioritariamente para o controlar, com um meio-campo reforçado e Rothen, um extremo fogoso, em espaços interiores, para fechar caminhos e tentar ajudar no combate pelo couro. Sem qualquer tipo de pressão, com a atitude certa das grandes equipas, o Dragão fez o que melhor sabe fazer. Geriu as emoções e o esforço, pensou antes de arriscar, aproximou-se rapidamente da probabilidade de sucesso.

Com fé, claro, com muita fé! Este Porto é impar, é fabuloso! Que linda foi a partida! Tanta lágrima, tanto suor, tanto empenho! O F.C. Porto foi frio durante todo o jogo. Agora, na hora de erguer a taça, tem todo o direito de soltar tudo o que remoeu. Em festa, aos pulos. Como quiser.

Amanhã cumpre-se o 17º aniversário da grande noite de Viena. Nada melhor para festejar o calcanhar de Madjer e a qualidade daquele conjunto fantástico do que... a repetição de todas essas sensações. O F.C. Porto é grandioso. O F.C. Porto é especial. O F.C. Porto só sabe ganhar! Esta quarta-feira, em Gelsenkirchen, subiu ao céu, comprou um lugar vitalício junto dos Deuses e alimentou ainda mais paixões. Agora sim o país pode parar. A taça da UEFA Champions League fala a língua de Camões.

FICHA DO JOGO
UEFA Champions League (final)
Estádio Arena Auf Schalke, em Gelsenkirchen
Árbitro: Kim Milton Nielsen (Dianarca)
Assistentes: Jens Larsen e Jorgen Jepsen
4º árbitro: Erik Knud Fisker

MÓNACO: Roma; Ibarra, Rodriguez, Givet e Evra; Zikos; Edouard Cissé, Bernardi e Rothen; Giuly «cap.» e Morientes
Substituições: Giuly por Prso (23m), Edouard Cissé por Nonda (68m) e Givet por Squillaci (71m)
Não utilizados: Tony Sylva, Plasil, Squillaci, Adebayor e El-Fakiri
Treinador: Didier Deschamps

F.C. PORTO: Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa «cap.», Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha, Pedro Mendes, Maniche e Deco; Derlei e Carlos Alberto
Substituições: Carlos Alberto por Alenitchev (60m), Derlei por McCarthy (77m) e Deco por Pedro Emanuel (84m)
Não utilizados: Nuno, Ricardo Costa, Jankauskas e Bosingwa
Treinador: José Mourinho
Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Carlos Alberto (39m), Deco (70m) e Alenitchev (75m)
Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Valente (28m), Carlos Alberto (39m)

in: http://www.fcporto.pt/Info/Futebol/Noticias/infofut_futlcfcpmoncro_260504_7224.asp

domingo, maio 23, 2004

Malta

Localização geográfica: Europa do Sul, Mar Mediterrâneo
Área: 316 km2
População: 379 563 habitantes (1998)
Capital: La Valeta
Outras cidades importantes: Birkirkara, Qormi, Hamrun e Sliema
Data de independência: 1947
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Libra maltesa
Línguas oficiais: Inglês e Maltês
Religião de Estado: Catolicismo

É uma república independente, um pequeno mas estratégico e importante grupo de ilhas situadas no centro do Mar Mediterrâneo. São cinco ilhas: Malta, a maior, Gozo, Comino, Comminotto e Filfla. Ficam a 93 quilómetros do sul da Sicília e situam-se a este da Tunísia e a norte da Líbia. Tem uma área total de 316km2. O porto de Dockyard é o mais importante do país. O clima é tipicamente mediterrânico, quente, com Verões secos, por vezes com Outonos temperados. A vegetação é escassa; no solo arável, que corresponde a dois quintos do território, pratica-se a agricultura. A principal indústria do país é o turismo devido às atractivas praias das ilhas.
A população de Malta está estimada em 379 563 pessoas que são, na sua grande maioria, habitantes das áreas urbanas. Etnicamente, 95% são naturais de Malta e os restantes são ingleses ou descendentes de italianos. As línguas oficiais são o inglês e o maltês. La Valeta é a capital, destacando-se ainda cidades como Birkirkara, Qormi, Hamrun e Sliema.
Malta foi ocupada antes de Cristo pelos Fenícios, Gregos, Cartagineses e Romanos. Segundo a lenda, São Paulo naufragou em Malta no ano 60 d. C. quando andava a converter as populações. A partir desta data, os malteses aderiram ao Cristianismo e a este permanecem fiéis até hoje. Com a divisão do Império Romano em 395 d. C. a zona este da ilha foi cedida ao domínio de Constantinopla. Em 1090 o conde Roger da Sicília conquistou Malta e submeteu-a às suas leis até ao século XVI. Em 1530, Malta foi cedida à Ordem Hospitalar de S. João de Jerusalém, uma ordem religiosa e militar pertencente à Igreja Católica. Em 1798, Napoleão Bonaparte invadiu Malta, mas quatro anos depois retirou-se e a ilha ficou sob a protecção dos ingleses. Foi anexada pelos britânicos em 1814.
Tornou-se base naval inglesa e uma zona estratégica importante durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que foi alvo de inúmeros ataques. Foi condecorada em 1942 com a medalha George Cross, a mais significativa atribuída pelos britânicos. O arquipélago tornou-se autonomamente governado em 1947. Em 1955 Dom Mintoff, líder do Partido Trabalhista de Malta (PTM) tornou-se primeiro-ministro. Em 1956 o PTM propôs uma nova integração no Reino Unido, proposta que viria a ser aceite em referendo, mas com a oposição do Partido Conservador, liderado por Giorgio Borg Olivier. Em 1959 revogaram a autonomia mas voltaram a restaurá-la em 1962. Malta só se tornou totalmente independente em 1964, altura em que aderiu à Commonwealth e celebrou uma aliança com o Reino Unido de ajuda económica e militar. De 1964 a 1971 Malta foi governada pelo Partido Nacionalista.
Em 1974 tornou-se uma república, dois anos depois o Partido Trabalhista regressou ao poder, mas com uma maioria reduzida. Desenvolveu uma política de amizade com a China e com a Líbia. Em 1984 Mintoff retirou-se e foi substituído por Mifsud Bonnici, novo líder do seu partido. Em 1987 voltou ao poder o Partido Nacionalista, este mais voltado para o Ocidente e com uma política de aproximação à União Europeia. Edward Fenech Adami foi eleito primeiro-ministro.
Em Dezembro de 1989, este território foi o local escolhido para um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, George Bush e o presidente da ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev. Em Outubro de 1990 Malta fez o pedido formal de adesão à União Europeia.

quinta-feira, maio 20, 2004

"Tróia" Um filme que vale a pena

Ao longo dos tempos, os homens fizeram a guerra. Uns pelo poder, outros pela glória ou pela honra, e alguns pelo amor. Na antiga Grécia, a paixão proibida de dois dos amantes mais lendários da história, Páris, príncipe de Tróia (Orlando Bloom) e Helena (Diane Kruger), filha de Zeus e de Leda, rainha de Esparta, desencadeia uma guerra que assolará uma civilização. O roubo de Helena ao seu esposo, o rei Menelau (Brendan Gleeson), por parte de Páris, é um insulto que não se pode tolerar. O orgulho familiar estabelece que uma afronta a Menelau é uma afronta ao seu irmão Agamenon (Brian Cox), o poderoso rei de Argos e Micenas, que não tarda em reunir todas as grandes tribos da Grécia para recuperar Helena das mãos dos troianos e defender a honra do seu irmão. A verdade é que a luta pela honra por parte de Agamenon está corrompida pela sua incontida cobiça: ele necessita do controlo de Tróia para assegurar a supremacia do seu já vasto império. A cidade amuralhada, governada pelo rei Príamo (Peter O'Toole) e defendida pelo poderoso príncipe Heitor (Eric Bana), é uma fortaleza inexpugnável, que nenhum exército foi capaz de penetrar. Só um homem se erige na chave para a vitória ou a derrota de Tróia - Aquiles (Brad Pitt), considerado o maior guerreiro vivo. Arrogante, rebelde e aparentemente invencível, Aquiles não sente lealdade por ninguém nem por nada, excepto pela sua própria glória. É a sua insaciável ânsia de fama eterna que o leva a atacar as portas de Tróia sob o estandarte de Agamenon - mas será o amor que finalmente decide o seu destino. Dois mundos vão para a guerra pela honra e pelo poder. Milhares de homens morrerão na sua luta por alcançar a glória. E, por amor, uma nação ficará reduzida a cinzas.
“Espectacular” poderá ser um adjectivo demasiado usado pela publicidade hollywoodiana, mas a Academia das Ciências pode restaurar o seu brilho e esplendor ao aplicá-lo a “Tróia”, um filme épico na tradição de Lawrence, Henry, Nevsky, Ivan e Falstaff.
Adaptar ao grande ecrã esta gesta que o tempo não pode apagar significava uma proeza artística e técnica. Convém esclarecer que “Tróia” é uma versão livre dos mitos do ciclo troiano e não de “A Ilíada”, do poeta grego Homero. O realizador Wolfgang Petersen, apoiado por um excelente argumento de David Benioff, não regateou talento nem esforço para redescobrir a guerra de Tróia com todos os seus matizes íntimos e grandiloquentes. O filme – uma super-produção digna dos mais ambiciosos projectos da cinematografia norte-americana – não descaiu nem para o maniqueísmo nem para o solene. Todos os seus protagonistas estão dispostos a defender o próprio, a não vacilar ante o medo e a desesperança e a apostar as suas mais fieis convicções. A partir desta acertada pintura de personagens e de situações, o filme seduz, aliás, pela magnificência da sua realização, pelo notável vestuário, por uma fotografia que se insere sem fissuras na trama e por uma banda musical que, com tonalidades plenas de emoção, acompanha o relato.
Mas Petersen, um sábio artesão no uso da câmara, contou também com mecanismos visuais para que a sua epopeia troiana não sofresse alterações. Milhares de extras, centenas de barcos, batalhas conjugadas com uma impecável montagem e uma violência nada gratuita são outros valores desta produção que rastreia essas páginas da literatura clássica que já parecem estar muito distantes no espaço e no tempo. Vale-se de todos os efeitos especiais e digitais do arsenal moderno para desdobrar a frota dos mil navios ou o exército dos 10,000 gregos que cercam a cidade de Tróia para resgatar a bela Helena, que Páris raptou ao enganado Menelau. O argumento de Benioff, democratiza “A Ilíada”, evitando a participação directa dos deuses: são invocados mas nunca intrometidos.
“Tróia” é visualmente deslumbrante, mas nunca perde de vista o elemento humano. Brad Pitt combina a arrogância e o fatalismo de Aquiles, imprimindo rasgos de novo cunho na sua moeda estelar. Através da trama, é como se se estivesse a preparar mentalmente para o seu grande momento: o encontro a sós com Príamo. O monarca vem reclamar o cadáver de seu filho Heitor, arrastado em triunfo por Aquiles. O ancião só pede que o deixe levar à pira fúnebre que a sua nobre condição merece. Aquiles tem de decidir entre a sua fúria vingativa e o respeito pelo pesar alheio. Com todas as batalhas e torneios de “Tróia”, esta cena íntima de cinco minutos é realmente memorável.
Nem uma só interpretação falha no conjunto: o irrepreensível Heitor de Eric Bana; o irresponsável Páris de Orlando Bloom; o patético Menelau de Brendan Gleeson; o belicoso Agamenon de Brian Cox; o aguerrido Odisseu (ou Ulisses) de Sean Bean; a indómita Briseis de Rose Byrne; a resignada Andrómaca de Saffron Burrows. Até o bebé de Heitor e Andrómaca é um ladrão de cenas com fraldas.
Falando de latrocínio, a sinfónica partitura de James Horner foi buscar sons a Prokofiev, Shostakovich, Vaughn Williams e nunca dá uma nota discordante em duas horas e meia. Para uma super-produção em grande escala, Petersen cuidou para que os seus personagens quase mitológicos se movam em interiores realistas, onde podem respirar com identificável dimensão humana.
Numa das cenas mais impressionantes de “Tróia”, em que os navios gregos se aproximam da ilha, é possível ter a noção da grandiosidade desta superprodução, orçada em 200 milhões de dólares (quase o dobro do custo de “Gladiador”). Na sequência, a câmara vai-se afastando, abrangendo uma porção cada vez maior do mar, e não param de surgir mais e mais embarcações, centenas delas, até à linha do horizonte. No total, foram mil barcos e 1.200 figurantes utilizados no grandioso épico. O cenário contou com uma estátua de Zeus de mais de 15 metros, e o famoso cavalo de Tróia, com quase 13 metros de altura.
As cenas da entrada do cavalo de madeira na fortaleza de Tróia – uma imagem com poder iconográfico – foram filmadas com enorme realismo. O esforço económico, artesanal e artístico de “Tróia” valeu a pena frente à realidade que oferece o ecrã. Aliás, o cavalo não faz parte de “A Ilíada”, mas de “A Odisseia”, outro poema de Homero, só que, por ser a passagem mais famosa da guerra, foi inserida como clímax do filme. «Havia diferentes modos de contar a história, muitos filmes podiam sair do mesmo texto, mas eu procurei concentrar-me na história humana, principalmente nos personagens Aquiles e Heitor», conta Benioff, que trabalhou um ano no projecto. Por esse motivo, ele deixou em segundo plano – e até de fora, muitas vezes – as intervenções dos deuses descritas por Homero. Zeus e companhia são apenas citados. «Quis contar o mito de Tróia e não “A Ilíada”. O interessante da história é que não há o bem contra o mal, heróis ou vilões».
A guerra de Tróia aconteceu há 3.200 anos, mas “Tróia” actualiza-a com a sua intacta mensagem de carnificina inútil. Como Aquiles diz, com displicência aterradora: «Esta não é a primeira nem será a última».

In http://www.estreia.online.pt/aleph/envelope?filme+ficha:list_movie:1032

quarta-feira, maio 19, 2004

As surpresas de Scolari

Maniche e Moreira são as surpresas de Luiz Felipe Scolari na lista de 23 convocados para a fase final do UEFA EURO 2004™ que foi divulgada ao início de tarde. Fernando Meira e Luís Boa-Morte ficaram de fora.

A surpresa e a confirmação
Se Moreira é uma novidade, pois nunca tinha sido chamado pelo técnico brasileiro, e está convocado por José Romão para o Europeu de sub-21, Maniche é a grande surpresa, uma vez que não fazia parte da Selecção Nacional desde Setembro, altura em que Portugal foi derrotado pela Espanha, por 3-0, em Guimarães.

Maniche dá garantias
"É um atleta que tem estado bem. Houve algumas situações no passado e eu quis mostrar-lhe algumas coisas. Tem características especiais para jogar em várias posições e pode ser muito útil caso tenhamos dificuldades nessa área. É um atleta que nos dá garantias", disse o seleccionador nacional.

Dúvida dissipada
A grande dúvida residia no nome do terceiro guarda-redes convocado, havendo quem apostasse numa surpresa de última hora chamada...Vítor Baía. Mas Scolari optou pela juventude de Moreira recusando admitir que a escolha divide os portugueses.

Apoio aos escolhidos
Na opinião do técnico, "...todos os portugueses estão convocados. Os portugueses têm que ter a certeza que o seu seleccionador escolhe os que melhor servem os interesses da equipa e devem concentrar-se no apoio aos que estão escolhidos e não aos não-escolhidos".

Rui Jorge e mais seis
No sector defensivo a principal dúvida foi dissipada ontem depois do anúncio do arquivamento do processo de Rui Jorge. O nome de Fernando Meira, que após uma grande ausência, foi chamado para o jogo com a Suécia, no passado mês de Abril, era uma hipótese pouco provável, tendo em conta a regularidade do quarteto de centrais formado por Fernando Couto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Beto.

Liderança a meio-campo
Scolari reservou para o meio-campo a grande surpresa. Depois de uma grande época ao serviço do FC Porto, Maniche, junta-se assim aos criativos Figo, Rui Costa e Deco e ao rigor táctico de Costinha, Tiago e Petit. O sector nevrálgico do campo vai ser ocupado por jogadores de grande experiência a nível internacional. O mais jovem dos convocados deste lote, Tiago, convenceu o seleccionador com a boa época ao serviço do Benfica.

Postiga reforça ataque
Na frente, Ronaldo depois de uma época promissora ao serviço do Manchester United FC, conquista a uma presença no maior palco do futebol europeu com apenas 19 anos. Apesar de ser capaz de jogar nos dois flancos a titularidade deve recair sobre Simão Sabrosa, que depois de ter falhado o Mundial de 2002, por lesão, vê-se, pela primeira vez, no lote dos eleitos de uma grande competição de selecções. Aos pontas-de-lança habituais, Pauleta e Nuno Gomes, juntou-se, em definitivo, Hélder Postiga, que, apesar de pouco utilizado no Tottenham Hotspur FC, pode ser importante no caso de Scolari ser obrigado a reforçar o ataque.

Várias opções de ataque
"O Hélder Postiga é um bom jogador que tem características diferentes dos outros avançados. Se tivéssemos só dois pontas-de-lança e houvesse algum problema isso não nos permitia ter a possibilidade de alterar o esquema táctico.", esclareceu Scolari.

Guarda-redes
Ricardo (Sporting CP)
Quim (SC Braga)
Moreira (SL Benfica)

Defesas
Jorge Andrade (RC Deportivo La Coruña)
Fernando Couto (S.S. Lazio)
Ricardo Carvalho (FC Porto)
Miguel (SL Benfica)
Paulo Ferreira (FC Porto)
Nuno valente (FC Porto)
Rui Jorge (Sporting CP)
Beto (Sporting CP)

Médios
Tiago (SL Benfica)
Petit (SL Benfica)
Costinha (FC Porto)
Deco (FC Porto)
Rui Costa (AC Milan)
Luís Figo (Real Madrid CF)
Maniche (FC Porto)

Avançados
Pauleta (Paris Saint-Germain FC)
Cristiano Ronaldo(Manchester United FC)
Simão Sabrosa (SL Benfica)
Nuno Gomes (SL Benfica)
Hélder Postiga (Tottenham Hotspur FC)

In http://pt.euro2004.com/News/Kind=1/newsId=180298.html

domingo, maio 16, 2004

Chipre

Localização geográfica: Ásia, noroeste do Mar Mediterrâneo
Área: 9 251 km2
População: 748 982 habitantes (1998)
Capital: Nicósia
Outra cidade importante: Limassol
Data de independência: 1960
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Libra cipriota
Línguas oficiais: Grego e Turco
Religiões maioritárias: Cristianismo, Ortodoxo Grego e Islamismo

Ilha do noroeste do Mar Mediterrâneo, situada a 64 km sul da Turquia, a 97 km oeste da Síria e a 402 km norte do delta do Nilo, no Egipto. Tem uma área de 9 251 km2, o que a torna na terceira maior ilha do Mediterrâneo. Os principais centros urbanos são Nicósia, a capital, e Limassol. O clima é mediterrânico e a temperatura média anual é de 19 oC.
Chipre tem uma economia livre baseada, sobretudo, no comércio e na indústria. O turismo oferece, ao país, uma grande fonte de divisas estrangeiras. A agricultura nacional desenvolveu-se graças à irrigação, o que permitiu a introdução dos citrinos, para além de já serem cultivados a batata, a uva, o milho, a cevada, a alfarroba e o tabaco. A indústria mineral encontra-se bem desenvolvida e produz a pedra de cal, a marga, o gesso, o mármore, o asbesto, a pirite e o crómio. A indústria abrange o petróleo refinado, os materiais de construção, o vinho, a cerveja, o calçado, o vestuário e os cigarros. Os produtos exportados são os artigos de vestuário, o calçado, a batata, os citrinos, a alfarroba e o tabaco e destinam-se, principalmente ao Reino Unido, ao Líbano, à Turquia e à Arábia Saudita. As importações provêm da Turquia, do Reino Unido, da Itália e da Alemanha e incluem os produtos alimentares, os produtos petrolíferos e o equipamento para os transportes.
A população do Chipre está estimada em 748 982 habitantes, o que corresponde a uma densidade de 81 hab./km2. As etnias principais do país são a grega, com 79%, e a turca, com 19%. As religiões com a maior expressão são a ortodoxa grega, com 76%, e a muçulmana, com 19%. As línguas oficiais são o grego e o turco.
Em 1191, durante uma cruzada à Terra Santa, o Rei Ricardo I da Inglaterra conquistou a ilha e concedeu-a ao rei Guy de Lusignan de Jerusalém. Imediatamente foi criada uma monarquia feudal que se prolongou até à Idade Média. Algum tempo depois, os mercadores de Génova e de Veneza passaram a controlar o comércio da ilha até ao século XV, altura em que se tornou parte do Império Veneziano. Em 1573, os turcos otomanos tomaram Chipre e instauraram um arcebispado.
No início do século XIX começaram sérias revoltas na ilha. Em 1878, os britânicos assumiram o controlo do território, depois da autorização do sultão turco que continuou a ser o soberano do Chipre. Mas, com a Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra anexou a ilha e, em 1915, ofereceu-a à Grécia. Em 1924, tornou-se uma colónia da coroa britânica. Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiu um movimento grego cipriota que se acentuou com actos de terrorismo contra os opositores britânicos e cipriotas. Em 1960 o Chipre tornou-se independente, mas a violência continuou. Em 1974, a Guarda Nacional do Chipre levou a cabo um golpe de estado. As forças turcas invadiram o território e, um mês depois, passou a controlar o norte da ilha. Os cipriotas turcos formaram governo, embora apenas reconhecido pela Turquia, e a zona sul permaneceu sob o controlo grego. A partir de meados da década de 1980 iniciaram-se conversações acerca da reunificação iniciaram, embora nunca tenham tido sucesso.

Crónicas sobre o Alargamento

Durante dez crónicas vou dar-te a conhecer, por dentro, todos os países que, no último 1º de Maio, se juntaram à União Europeia:

Chipre, Malta, Hungria, Eslovénia, Eslováquia, República Checa, Polónia, Lituânia, Letónia e Estónia.

sexta-feira, maio 14, 2004

Aula Aberta Dr. Paulo Casaca

O actual eurodeputado e candidato às próximas eleições ao Parlamento Europeu, Paulo Casaca, vai dar uma Aula Aberta no próximo sábado, 15 de Maio pelas 9:30 no Anfiteatro II do Complexo Científico, com o tema: IMPORTÂNCIA DAS ULTRAPERIFERIAS.

Esta aula aberta é organizada pela Comissão Instaladora do Núcleo de Estudante de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores.

quarta-feira, maio 12, 2004

O debate, com os euro-candidatos ao Parlamento Europeu, nos estúdios da RDP-A, no passado Domingo, correu muito bem. O pior foi quando os euro-candidatos não responderam às questões que lhes colocamos... salvo uma ou outra excepção...

Todavia, estamos todos de Parabéns. Abraços ao Saes e Ana Paula que tão bem dirigiram o debate, à Rita Moura que foi incansável no nosso apoio e aos técnicos Gamboa, José Augusto e Raúl que tanta paciência tiveram em nos sofrer até altas horas da noite... E à RDP-A em ceder o seu material e logística...

terça-feira, maio 11, 2004

“JUNTOS PELA EUROPA”

MENSAGEM FINAL DO ENCONTRO

A Europa chegou a um momento decisivo da sua existência e do seu projecto para o futuro: ela não se pode limitar a um mercado ou a uma união para a segurança dos seus cidadãos. Nós sabemos que a influência do amor de Deus está a impulsionar os povos da Europa a ser muito mais que isto. Um continente com tanta variedade e beleza, que viveu momentos de esplendor e crescimento, mas que também experimentou a verdade amarga que, sem a referência a valores profundos, os seres humanos são despojados da sua humanidade e mostram-se capazes dos piores males.
No último século, duas guerras mundiais, os campos de concentração, os “Gulags” e, em particular, o Holocausto testemunharam a escuridão que habitou o nosso continente e que dolorosamente tocou o resto do mundo. E agora a exclusão, a injustiça, a exploração e a praga do terrorismo exigem soluções. Contudo, apesar de todos estes males, hoje felizmente nós podemos ver uma Europa que se move rumo à reconciliação. Uma Europa livre e democrática.
Inspirados pela força transformadora do Evangelho, sentimo-nos chamados a trabalhar por um continente multifacetado e unido. Nós, membros de mais de 150 Movimentos, grupos e comunidades de diferentes igrejas cristãs juntos em Estugarda vindos de todos os cantos do continente, queremos testemunhar a novidade da crescente fraternidade e comunhão entre nós, alimentada pelo Espírito. Esta comunhão de vida é outra consequência das tradições culturais que, à luz da revelação Judaico-Cristã, construíram o nosso continente através dos séculos. Oferecemos esta fraternidade como contributo para uma Europa que seja capaz de responder aos desafios do nosso tempo.
Os carismas, dons de Deus, compelem-nos a seguir a via da fraternidade universal, que cremos seja a verdadeira vocação da Europa. A fraternidade não é senão o amor evangélico vivido entre todos, sempre renovado, a começar aqui e agora.

• A fraternidade é a partilha dos bens e recursos.
• A igualdade e liberdade para todos os homens e mulheres.
• O aprofundamento do nosso património cultural comum
• A abertura a pessoas de outras culturas e tradições religiosas
• Amor e solidariedade para com os pobres e os fracos das nossas cidades;
• Um profundo sentido de família
• O respeito pela vida humana em todo o seu percurso
• O cuidado com a natureza e o meio ambiente;
• O desenvolvimento harmónico dos meios de comunicação.

Vivendo esta fraternidade, a Europa torna-se ela própria mensagem de paz, uma paz activa que se constrói todos os dias numa base de perdão pedido e recebido. Uma paz que quer construir pontes entre pessoas “globalizando” a solidariedade e a justiça.
Esta mensagem não pretende ser apenas uma declaração de intenções, mas o testemunho de algo que, ainda que no princípio, é já uma realidade entre nós. Nós, reunidos aqui em Estugarda e co-ligados com os encontros paralelos a decorrer em mais de 150 cidades (Ponta Delgada também incluída) através do continente, queremos trabalhar juntos com todos os homens e mulheres de boa vontade para que a Europa possa ser um lugar de amor e fraternidade, que esteja ciente das suas responsabilidades e que se mostre aberta ao mundo inteiro.