domingo, junho 06, 2004

ESLOVÉNIA

Localização geográfica: Europa de Leste
Área: 20 256 km2
População: 1 971 739 habitantes (1998)
Capital: Liubliana
Outras cidades importantes: Maribor, Celje e Kranj
Data de independência: 1992
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Tolar
Língua oficial: Esloveno
Religião maioritária: Catolicismo

País do noroeste dos Balcãs que tem uma área de 20 256 km2. Faz fronteira com a Itália, a oeste; com a Áustria, a norte; com a Hungria, a nordeste; e com a Croácia, a sul e a sudeste. A oeste, tem um estreito que forma uma costa de 25 km no Mar Adriático, entre Trieste, na Itália, e a Península de Ístria, na Croácia. As cidades mais importantes são Liubliana, a capital, Maribor, Celje e Kranj. O território é predominantemente montanhoso. O clima é de tipo mediterrâneo junto ao litoral mas apresenta características de clima continental no interior.
A Eslovénia é, historicamente, uma das regiões mais prósperas dos Balcãs, com uma economia baseada na indústria. Os produtos industriais são o aço, o alumínio, os materiais de construção, os detergentes, os tecidos, os produtos de couro e as bicicletas. Existem grandes reservas de carvão e alguns depósitos de petróleo e de gás natural. A agricultura não se encontra muito desenvolvida mas, mesmo assim, ainda são cultivados o milho, a batata, o trigo, a beterraba e os frutos.
A população era, em 1998, de 1 971 739 habitantes, o que corresponde a uma densidade de aproximadamente 97 hab./km2. Estima-se que, em 2025, a população atinja 1,8 milhões, valor inferior ao actual em virtude da descida das taxas de natalidade. As etnias principais são a eslovena, com 88%; a croata, com 3%; e a sérvia, com 2%. A religião com maior expressão é a católica. A língua oficial é o eslovénico.
No século IX, a Eslovénia passou a integrar o Império Germânico e os eslovenos foram reduzidos à servidão. A partir do século XIII, a suserania dos Habsburgos austríacos no território foi sendo gradualmente estabelecida. Entre os séculos XV e XVI, ocorreram algumas rebeliões entre os camponeses eslovenos. Mas, no século XVIII, a imperatriz Maria Teresa e o seu filho José II conseguiram travar as revoltas, decretando algumas reformas.
Depois de um curto período de domínio napoleónico, entre 1809 e 1814, a administração dos Habsburgos foi restabelecida na região. Em 1870, surgiram as esperanças da população no sentido da união política dos países eslavos do sul (a Eslovénia, a Sérvia e a Croácia). Vinte anos mais tarde, começaram a surgir os primeiros partidos políticos. Em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, os líderes políticos da Eslovénia cooperaram na formação do Império Sérvio, Croata e Esloveno que, em 1929, passou a designar-se Jugoslávia. No início da Segunda Guerra Mundial, a Eslovénia foi ocupada e dividida pelas Potências do Eixo, a Alemanha, a Itália e o Japão. Mas a resistência começou a surgir, principalmente a comunista Frente de Libertação. Com a vitória dos Aliados, em 1945, a Eslovénia tornou-se uma república constituinte da Jugoslávia. Sob o domínio comunista, a Eslovénia gozou de uma razoável autonomia nos campos económico e cultural.
No final da década de 1980, os líderes comunistas eslovenos iniciaram a construção de um sistema multipartidário, colocando-se assim em vantagem em relação ao domínio do Partido Comunista da Sérvia jugoslava. Em Abril de 1990, decorreram na Eslovénia as primeiras eleições multipartidárias dentro da Federação Jugoslava, desde a Segunda Guerra Mundial, que foram ganhas por uma coligação de centro-direita. Pouco tempo depois o novo Governo decidiu-se pelo direito à independência. A Eslovénia separou-se da federação, em Junho de 1991 e, um ano depois, a independência foi reconhecida pela União Europeia. A partir desse momento, a economia e a sociedade do país começaram a seguir os padrões da Europa Ocidental.

terça-feira, junho 01, 2004

um filme que vale a pena ver: The Day After Tomorrow

Título Original: “The Day After Tomorrow”
Realização de Roland Emmerich (EUA, 2004)
Produtores: Roland Emmerich e Mark Gordon
Uma Produção de Tomorrow Films / Centropolis Entertainment / Mark Gordon Productions
Intérpretes: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Dash Mihok, Jay O. Sanders, Sela Ward, Austin Nichols, Arjay Smith, Tamlyn Tomita, Kenneth Welsh e Ian Holm
Argumento: Roland Emmerich e Jeffrey Nachmanoff
Fotografia: Anna Foerster e Ueli Steiger
Música: Harald Kloser
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Distribuição em Portugal: Castello Lopes Multimédia
Género: Acção / Ficção Científica / Thriller
Duração: 124 minutos

Roland Emmerich converteu a demolição de símbolos numa longa e frutífera carreira cinematográfica: desde a destruição da Casa Branca às mãos de pérfidos alienígenas em “O Dia da Independência / Independence Day” até à imagem de vários corredores da bolsa de Wall Street desmembrados por um gigantesco dinossáurio em “Godzilla”, os seus filmes sempre encontram um homem comum enfrentado circunstâncias que o superam amplamente, às quais consegue sobreviver apenas através da solidariedade daqueles que partilham as suas previsões, resgatando sempre os valores intrínsecos da sociedade norte-americana, que, não importa o cataclismo, são sempre capazes de nos indicar o caminho correcto.
Agora, o realizador alemão radicado nos Estados Unidos decidiu destruir Nova Iorque e todo o hemisfério norte em “O Dia Depois de Amanhã”. O filme tem como protagonista Dennis Quaid, que interpreta um paleoclimatologista que tenta chegar a Nova Iorque para resgatar o seu único filho (Jake Gyllenhaal), preso na Biblioteca Pública dessa cidade, enquanto se desenvolve a catástrofe climática que anunciou às autoridades que iria ocorrer, ante um vice-presidente ficcional dos Estados Unidos (mas idêntico ao real, Dick Cheney), que o repreende pelo seu alarmismo, que considera infundado. Assim, furacões, tornados, inundações, terramotos e tempestades de neve encarregam-se de deixar limpa a face dos Estados Unidos (e, por ilação, boa parte do planeta), enquanto começa uma nova era glacial, só três dias depois dos Estados Unidos e as principais capitais da Europa (incluindo Portugal) terem sido arrasadas.
Até aqui, nada mais que uma película inscrita no género catástrofe não pudesse oferecer. E, com um orçamento de 125 milhões de dólares, só se podia esperar que Emmerich e a sua equipa conseguissem por essas situações em cena da forma mais espectacular possível. Para tal, contou com o apoio, uma vez mais, da fabulosa Industrial Light & Magic (ILM), de George Lucas.
O cinema catástrofe tentou ressurgir na última década. O seu exemplo mais bem sucedido (ainda que exceda largamente o género) foi, sem dúvida, “Titanic”. Restou a Emmerich e a esporádicos filmes - sempre aos pares - baseados em previsões agoirentas: meteoritos em rota de colisão com a Terra (“Armageddon” e “Impacto Profundo / Deep Impact”) e vulcões em erupção (“Volcano” e “O Cume de Dante / Dante's Peak”), assim como os recentes “Detonação / The Core”, “Reino de Fogo / Reign of Fire” e “28 Dias depois / 28 Days Later” (estes dois últimos, ambientados em Inglaterra).
Nova Iorque é o branco preferido de qualquer catástrofe no cinema desde “A Guerra dos Mundos / The War of the Worlds” na versão de Orson Welles (podemos recordar, ainda, a famosa cena da Estátua da Liberdade em “O Homem Que Veio do Futuro / Planet of the Apes”). A sua condição de capital do mundo fá-la funcionar facilmente como metáfora da civilização humana. Parte da graça era saber que se estava diante duma ficção improvável, o que permitia desfrutar a hecatombe sem maior culpa. Depois dos atentados do 11 de Setembro, a percepção mudou radicalmente. Hollywood extremou os cuidados (não por acaso desapareceram as Torres Gémeas de “O Homem Aranha / Spiderman”). “O Dia Depois de Amanhã” marca a primeira vez, desde esse atentado, em que Hollywood se permite a ficção de destruir a cidade. O que as águas do Atlântico invadem primeiro é, precisamente, o espaço vazio onde se erigiam as torres.
Poderia pensar-se que Emmerich, ao centrar-se em Nova Iorque, se arrisca, mas também é certo que é bastante mais tranquilizador deixar à natureza o papel de vilão, sabendo que é, simplesmente, causa e efeito. E depois, sempre haverá sobreviventes -especialmente nos filmes de Emmerich - que possam aprender com os erros e reconstruir o que se perdeu. Num sentido, as películas catástrofe norte-americanas são o último reduto da utopia: reflecte os seus temores mais atávicos, o seu diagnóstico acerca de como a sua sociedade errou, qual seria um castigo apropriado e como começar de novo.
No entanto, “O Dia Depois de Amanhã” provocou um escândalo nos Estados Unidos. Muita mais polémica do que seria de imaginar para uma obra dum realizador tão funcional ao ‘status quo’. Na verdade, o responsável não é o filme, segundo o realizador, mas todos nós. A película só mostra a linha ponteada que se estende desde o que estamos a fazer com o planeta hoje até esse “dia depois de amanhã”, quando a Mãe Natureza nos devolver a gentileza. Emmerich só acelerou os tempos para melhorar o efeito dramático e, ao fazê-lo, pôs o dedo num problema, o aquecimento global, que sectores da opinião pública do seu país prefeririam não tocar. Os Estados Unidos não ratificaram o protocolo de Quioto, o tratado das Nações Unidas que pretende que, para 2012, esse país reduza as suas emissões de dióxido de carbono em 30 por cento. E, precisamente na estreia mundial do filme, o Congresso norte-americano debateu uma lei que tenta reduzir essa contaminação. Os ambientalistas aproveitaram a deixa para fazer pressão: o site da Greenpeace (www.thedayaftertomorrow.org), quase idêntico à página oficial da película, assinala como principal responsável da catástrofe o presidente Bush. As indústrias desse país, por seu lado, tomam o filme como uma mostra da natureza distorcida da reclamação. E não são as únicas: Stephen J. Milloy, do site foxnews.com (companhia irmã da produtora do filme), publicou uma coluna na que dizia: «O propósito da película é assustar-nos para que aceitemos a agenda política dos verdes: o domínio da sociedade através do controlo dos recursos energéticos».
A polémica, em época de eleições, serve para fazer avançar agendas políticas. Talvez por isso, os jornais norte-americanos emitiram uma comunicação interna da NASA que anunciava aos seus cientistas que não deveriam comentar à imprensa a validade das premissas do filme (mais tarde informou-se que o poderiam fazer). Al Gore, por seu lado, comentou: «Há duas questões ficcionais: uma é a película de Emmerich; a outra, as teorias deste governo acerca do aquecimento global». O realizador - que se declarou contrário a Bush – confessou ao The New York Times o seu agrado de ter filmado «uma película de puro entretenimento que é, realmente, um pouquinho subversiva». Enquanto os meios fazem o impossível por lembrar que “O Dia Depois de Amanhã” é apenas uma película, há gente que crê que Hollywood influi mais na percepção que o público tem do mundo do que prefeririam reconhecer. E talvez tenham razão.

domingo, maio 30, 2004

Hungria

Localização geográfica: Europa Central
Área: 93 032 km2
População: 10 208 127 habitantes (1998)
Capital: Budapeste
Outras cidades importantes: Debrecen, Miskolc, Szeged e Pécs
Data de independência: 1989
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Forint
Língua oficial: Húngaro
Religiões maioritárias: Catolicismo e Protestantismo

República da Europa Central, faz fronteira com a Eslováquia a norte, com a Ucrânia e a Roménia a leste, com a Eslovénia, a Croácia e a Jugoslávia a sul, e a Áustria a oeste. Tem uma área de 93 032 km2 e uma população de 10 208 127 habitantes, o que corresponde a uma densidade populacional de 110,0 hab./km2. A capital da Hungria é Budapeste, onde vive cerca de 21% da população. Tal como em muitos outros países europeus, a população húngara tem tendência para diminuir, facto que se vem registando desde a década de oitenta. Estima-se que, em 2025, a população seja apenas de 9,4 milhões de habitantes, dado que se prevê que a taxa de mortalidade (14,6o/oo) que aumentou nos últimos anos, continue a ser superior à taxa de natalidade (11,7o/oo).
Distinguem-se quatro regiões na Hungria: a Grande Planície Húngara, situada no sul e leste do país, ocupando mais de metade do território; a Pequena Planície Húngara, situada no noroeste; o sistema montanhoso conhecido por Transdanúbia, com altitudes compreendidas entre os 400 e os 700 metros, separando as duas planícies húngaras; e as Montanhas do Norte, de características vulcânicas, que integram o sistema montanhoso de nome Mátra onde se encontra o ponto mais alto da Hungria, o Monte Kékes, com 1 015 metros.
Os recursos hidrográficos são vastos, sendo os maiores rios o Danúbio e o Tisza, que percorrem o país de norte a sul, destacando-se, também, a existência de um dos maiores lagos da Europa, o Lago Balaton, com 598 km2.
O clima da Hungria é continental e moderadamente seco, com um nível de precipitação média anual de 550 a 600 mm nas terras baixas e de 600 a 800 mm nas terras altas, enquanto que a temperatura varia de -4o C a 0o C em Janeiro e de 18o C a 23o C em Julho.
O povo húngaro, vulgarmente designado por magiar (nome também atribuído à língua húngara), é bastante homogéneo, sendo muito difícil distinguir qualquer subgrupo. Constitui 97% do total da população, sendo os restantes 3% compostos por ciganos, alemães, eslovacos, sérvios, croatas e romenos.
A Hungria tem na bauxite, no carvão e no manganésio os principais recursos minerais, contando também com quantidades substanciais de chumbo, zinco e cobre. Nos últimos anos, têm sido descobertas na Hungria áreas consideráveis de petróleo, gás natural e urânio, alterando o panorama húngaro quanto a recursos energéticos, até então tido como pobre.
Até 1989, a Hungria teve uma economia socialista, planeada e dominada pelo Estado, caracterizada pela estagnação, pela inflação galopante e pela descida do rendimento per capita. Com o desmoronamento do bloco de leste, a Hungria abriu caminho em direcção à liberalização da economia, facto que não constituía novidade para o país, já que, entre 1968 e 1973, vigorou o Novo Mecanismo Económico (NEM), um programa de reformas económicas que passava pela abolição das directivas estatais em detrimento das decisões e iniciativas privadas, pelo nivelamento dos preços em relação aos custos de produção e atribuição de bónus a trabalhadores e gerentes em conformidade com os lucros obtidos. Mas a reforma do fim da década de oitenta foi mais longe, ao definir, não só a eliminação de empresas estatais que se encontravam em processo de bancarrota, como também a não atribuição de qualquer apoio ou subsídio a empresas privadas em situação similar. Estas medidas favoreceram o sector industrial, o de maior peso na economia (representa 33% do PIB, e emprega 1/3 da mão-de-obra), pois permitiu uma reestruturação selectiva das indústrias, orientando-as para a produção de bens com procura garantida no mercado, especialmente as construções mecânicas dirigidas à exportação. Os produtos industriais mais importantes são o cimento, o aço em bruto e o aço laminado, fertilizantes, têxteis e vestuário, artigos electrónicos (televisão e rádio), locomotivas e autocarros.
Apesar de a importância da agricultura ter decrescido dentro do quadro económico húngaro (7% do PIB), a verdade é que este país é auto-suficiente no que se refere à produção de bens agrícolas, chegando mesmo a exportar vários desses produtos. Destes destacam-se o milho, o trigo, a beterraba, a cevada e a batata. Em 1993, 94 e 95 a seca afectou bastante a agricultura, mas os rebanhos aumentaram, o que traduz um certo êxito das reformas implementadas.
Quanto ao sector terciário, verifica-se que o sistema financeiro continua sob o controlo estatal, apesar de haver, actualmente, uma gradual divisão das actividades financeiras com os bancos privados. Há que realçar a importância do turismo na obtenção de divisas estrangeiras, devendo parte do seu desenvolvimento às excelentes estruturas de comunicação (estradas, caminhos-de- ferro e transportes aéreos).
A Hungria - nomeadamente a sua capital, Budapeste - é famosa pela intensa actividade cultural, fruto do enorme investimento estatal nesta matéria que cria excelentes condições de trabalho para os vários artistas. Assim se compreende o elevado número de tantos artistas húngaros de renome internacional, como Béla Bartók, Zoltán Kodály ou Kálmán Mikszáth.
A Hungria tem as suas raízes históricas no ocupação das margens do Rio Danúbio pelo povo magiar nos finais do século IX, terras essas que tinham sido ocupadas pelos romanos (ano 14 a. C. - século IV d. C.), pelos germanos (século V), pelos avaros (séculos VI-VIII) e pelo império de Carlos Magno (século IX). Nos finais do século X, os magiares adoptam o Cristianismo como religião, iniciando, ao mesmo tempo, a estruturação de um reino forte e independente; e, no século XII, a Hungria era o principal Estado da Europa centro-leste. Contudo, em 1241, dá-se o início do fim da Hungria como reino independente, através da grande invasão mongol, que dizimou metade da população húngara e deixou um rasto de completa destruição. Após esta invasão, a Hungria mergulhou num período de instabilidade interna, culminando no desaparecimento da dinastia régia Arpad, em 1301. A partir desta data, a Hungria passou a ser dominada pela casa real de Nápoles e, após as invasões dos turcos otomanos iniciadas no século XIV, a Hungria foi dividida, em 1568, em três partes: uma faixa estreita a ocidente passou para o domínio dos Habsburgos da Áustria (que acabariam por dominar toda a Hungria nos finais do século XVII); a leste, a Transilvânia ganhou o estatuto de autonomia sob a soberania dos turcos; e a parte central passou para o domínio directo dos turcos.
Em 1848 ocorre uma revolução liderada por intelectuais húngaros com o objectivo de obter a independência da Hungria, causada não só pelo descontentamento social provocado pela política despótica dos austríacos, como também pelos constantes conflitos étnicos existentes entre os magiares e as outras etnias presentes no território, como os romenos, os eslovacos, os sérvios e os croatas. Na sequência desta revolução formou-se em 1867 o império austro-húngaro, sob o qual a Hungria gozou de maior independência interna, embora não a suficiente para alguns sectores da sociedade representados no parlamento, o que causou várias situações de instabilidade política. Este império dissolveu-se com o fim da Primeira Guerra Mundial - durante a qual manteve uma aliança com a Alemanha -, sendo o território húngaro dividido, sob o Tratado de Trianon (4 de Junho de 1920) entre a Roménia, a Checoslováquia, a Jugoslávia, a Áustria, a Polónia e a Itália, ficando a Hungria com praticamente a área que possui nos nossos dias. Este desmembramento foi acompanhado por um período de grande instabilidade e ruptura social, política e económica, cuja causas se encontram na ocupação da Hungria pelo exército romeno e na tentativa falhada dos bolcheviques húngaros em conquistarem o poder. Toda esta conjuntura deixou feridas profundas na sociedade húngara, o que, junto com uma reconstrução nacional que se mostrou difícil e demorada, veio a contribuir para um largo crescimento dos movimentos radicais de direita. Tal facto esteve na origem da aliança entre a Hungria e a Alemanha de Hitler, através da qual viam a oportunidade de recuperar as áreas perdidas com o Tratado de Trianon. Com o decorrer da guerra, a Hungria foi-se envolvendo cada vez mais no conflito, sobretudo na frente leste, onde se opunham as forças alemãs às soviéticas, contando para isso com o apoio da maioria dos húngaros, que guardavam na memória a má experiência bolchevique ocorrida em finais da década de vinte. No entanto, a União Soviética revelou-se mais forte, fazendo retroceder gradualmente as forças germano-húngaras até as expulsarem da Hungria em 4 de Abril de 1945. A partir de então, a presença das forças soviéticas abriu caminho à implantação de um regime comunista, numa primeira fase de uma forma discreta, tornando-se depois mais concreta e efectiva em 1949, com a declaração da República Popular da Hungria, processo este que nem a revolução de 1956 conseguiu impedir. Neste ano subiu ao poder János Kádár que, embora comunista, conseguiu implementar ao nível da economia e da cultura políticas com algumas características liberais, tornando assim a Hungria no país pró-soviético mais tolerante.
Com o fim do comunismo na União Soviética e o seu consequente desmembramento em 1989, a Hungria aproveitou a oportunidade para se libertar daquela ideologia, iniciando um processo de democratização fundamentado na revisão da Constituição, na qual se estabeleceu a divisão dos poderes (legislativo, judicial e executivo), a implantação de um sistema político multipartidário e o consequente abandono do termo "popular" na designação do país. As eleições de 1990 levam ao poder uma coligação de partidos formada pelo Fórum Democrata Húngaro, pelo Partido dos Proprietários Independentes e pelo Partido Democrata Cristão, e chefiada pelo líder do Fórum, József Antall. Deu-se então início à execução de reformas económicas com vista a aproximar a Hungria dos níveis de vida dos países da Europa ocidental. Contudo, o governo revelou-se impotente para levar a cabo tais reformas, o que resultou numa pesada derrota para os partidos da coligação (principalmente o Fórum) nas eleições gerais de 1994, que deram uma larga vitória ao Partido Socialista Húngaro (54% dos votos), foi formado por ex-membros do Partido Comunista. No entanto, para evitar qualquer desconfiança ou receio, quer por parte dos húngaros, quer por parte da comunidade internacional, o PSH estabeleceu um acordo com a Aliança dos Democratas Livres (18% dos votos) com vista à formação de um governo de coligação sob a liderança do socialista Gyula Horn. Este governo tem tentado, desde então, tornar as reformas económicas mais efectivas, tendo dado ao mesmo tempo início a um processo de revisão constitucional para, num prazo de dois anos, ser aprovada uma nova Constituição.

quarta-feira, maio 26, 2004

F. C. Porto Campeão Europeu Crónica do site da UEFA

Dezassete anos depois de ter ganho a Taça dos Clubes Campeões Europeus, o FC Porto conquistou a UEFA Champions League, ao bater o AS Monaco FC, no Arena AufSchalke, por 3-0. Os "azuis-e-brancos" tornam-se, assim, na segunda equipa da história a conquistar a Taça UEFA e a mais importante competição europeia de clubes em duas épocas consecutivas (depois de o Liverpool o ter conseguido na década de 70).

Equipas em 4-4-2
O jogo não teve um período de estudo mútuo com as duas equipas a provarem que vinham bem ensinadas dos balneários. José Mourinho e Didier Deschamps não apresentaram surpresas nos respectivos “onzes” titulares. Os campeões nacionais surgiram com o habitual 4-4-2, com Derlei e Carlos Alberto a relegarem Benni McCarthy para o banco de suplentes. Do lado dos franceses, o capitão Ludovic Giuly apareceu ao lado de Fernando Morientes, formando uma dupla de ataque.

Baía salva

O Mónaco começou melhor e, ao contrário do que é costume, o FC Porto pareceu algo nervoso nos momentos iniciais. Como resultado dessa entrada menos boa, logo aos 3 minutos,
Lucas Bernardi recuperou a bola no meio-campo, Edouard Cissé lançou Giuly em velocidade, mas Vítor Baía saiu muito bem da área e afastou o perigo com os pés quando o capitão do Mónaco estava isolado.

Carlos Alberto aproveita

Aos 39 minutos, Paulo Ferreira centrou para a zona da marca da grande penalidade, Givet não consegue o alívio e Carlos Alberto, aproveitando o ressalto, toca de pé direito para o fundo da baliza. Aos 19 anos, o jovem brasileiro tornou-se no terceiro mais novo marcador em finais da Liga dos Campeões e logo com o seu primeiro golo nas competições europeias.

Jogo de banco

Mourinho fez entrar Alenichev para o lugar de Carlos Alberto na tentativa de reconquistar o meio-campo e Deschamps respondeu com a entrada do ponta-de-lança Shabani Nonda para o lugar de Cissé. O FC Porto só precisava de uma oportunidade para sair em contra-ataque e decidir o jogo.

Deco aumenta

E foi na sequência de uma rápida contra-ofensiva que o FC Porto elevou para 2-0. Aos 71 minutos, Pedro Mendes recuperou a bola à entrada da área portista, lançou Deco que saiu do seu meio-campo com a bola controlada e assistiu Alenitchev no flanco esquerdo. O russo devolveu o passe ao luso-brasileiro que, já dentro da área, atirou com calma e classe para o canto direito da baliza de Roma.

Alenitchev confirma

Quatro minutos mais tarde, os "dragões" confirmaram a superioridade técnica e táctica, desta vez com Alenitchev a finalizar. Um centro de Derlei bateu em Squillaci e o ressalto sobrou para o internacional russo, que disparou fortíssimo estabalecendo o resultado final.

Festa portuguesa

A festa "azul-e-branca" tomou conta das bancadas e, apesar dos últimos esforços dos franceses, o FC Porto aproveitou os útlimos minutos para saborear mais um triunfo histórico.

In: http://pt.uefa.com/competitions/UCL/fixturesresults/round=1716/match=1065206/Report=RP.html

José Mourinho nas nuvens

"O meu futuro vai ser decidido nos próximos dias. Não tenho qualquer acordo ou pré-acordo com qualquer clube. Contudo, posso dizer que a minha vontade é sair"

Depois de mais uma importante vitória pelo FC Porto, o treinador dos "azuis-e-brancos" decidiu partilhar a festa com a família, abraçando-se aos filhos e à mulher logo a seguir ao apito final do árbitro. Em declarações depois do jogo, José Mourinho mostrou-se muito feliz com a conquista de mais um troféu ganho ao serviço do FC Porto.

Celebrar com a família

"Assim que o jogo terminou pude celebrar a vitória com a minha família, o que foi fantástico. É um momento de extrema alegria para mim e para os meus jogadores", começou por revelar o técnico dos "dragões", acrescentando que "houve uma altura em que Deschamps teve de arriscar, ao fazer entrar Nonda. Ainda assim, com a entrada de Alenitchev, a partida ficou equilibrada".

Momento-chave

Visivelmente feliz com esta nova vitória, José Mourinho revelou: "Sentimos que o jogo poderia estar decidido quando fizemos o segundo golo e a partir dessa altura gerimos da melhor forma a partida".

Tempo para celebrar

No que toca ao seu futuro, o técnico sublinhou: "Agora é altura de celebrar e há tempo para falar sobre isso", ressalvou, acrescentando: "A vida de um treinador e de um clube é marcada por estes momentos. Há altos e baixos, e sei que um dia as coisas me vão correr menos bem, contudo, estou preparado para isso".

Em sonhos

Por outro lado, o capitão dos portistas revelou: "Era impossível prever que isto poderia acontecer ao FC Porto. É óbvio que sonhava com este momento mas nunca me passou pela cabeça que pudesse acontecer. Esta grande vitória é resultado do excelente trabalho desenvolvido neste clube, a todos os níveis e sinto-me neste momento capitão da melhor equipa da Europa".

'Classe veio ao de cima'

O guarda-redes do FC Porto rubricou uma excelente exibição na final de Gelsenkirchen e, segundo o jogador, “tivemos a sorte do jogo na primeira parte. Contudo, no segundo tempo, fomos superiores e a classe dos nossos jogadores veio ao de cima. A conquista da Liga dos Campeões é um momento fantástico para todos nós, revelou Vítor Baía.

'Sensação única'

Para Deco, um dos melhores elementos em campo do lado dos portistas, “o jogo ficou decidido quando marquei o golo. Conquistar este troféu é um momento mágico e uma sensação única. Trata-se do máximo que um jogador pode obter a nível de clubes. Não contava com este desfecho no início da época mas sabia que a nossa equipa tinha qualidade para chegar aqui”.

A bandeira de Portugal

Segundo Derlei, “a bandeira de Portugal está no topo da Europa. Realizámos uma época sensacional e a conquista da Liga dos Campeões é o corolário do trabalho realizado. A equipa trabalhou muito para chegar aqui e estamos todos de parabéns”, referiu o atacante brasileiro, acrescentando: “Espero agora que os portugueses celebrem novamente no EURO 2004™ com a vitória da selecção portuguesa.

In: http://pt.uefa.com/competitions/UCL/news/Kind=512/newsId=182603.html

VIVA AO F. C. PORTO CAMPEÃO EUROPEU DE CLUBES 2004

A Europa é nossa! Depois da brilhante conquista na Taça UEFA da temporada passada, o F.C. Porto venceu a UEFA Champions League 2003/04, numa prova de classe, dedicação e qualidade. Num ambiente fantástico, num estádio a ferver, a equipa de José Mourinho fez pura magia, foi inteligente e não deu hipótese. Com a uma frieza perfeita, instinto apurado e muita classe, despachou o Mónaco com um marcador robusto. A Invicta pode festejar. O título é azul e branco!

Não dá para falar de futebol num momento como este. Podíamos consumir um par de parágrafos a dizer que o F.C. Porto foi a equipa mais madura, jogou com mais cabeça, circulou a bola quando teve de circular, foi letal na hora de golpear o oponente. Era quase obrigatório resumir esta crónica ao labor e à mestria de uma equipa que já entrou para a história, que assinou dois anos verdadeiramente inesquecíveis, que nos fez sonhar!

Mas não! Hoje é só emoção. Neste momento, a festa avança ao ritmo do teclado, num orgulho inigualável. Carlos Alberto, Deco e Alenitchev desenharam os contornos da façanha. Tiveram nas suas mãos milhões de corações, chamaram a si a responsabilidade de decidir, não titubearam na hora de ser felizes.

O F.C. Porto não pestanejou durante toda a partida. Nem quando viu que o Mónaco estava a jogar prioritariamente para o controlar, com um meio-campo reforçado e Rothen, um extremo fogoso, em espaços interiores, para fechar caminhos e tentar ajudar no combate pelo couro. Sem qualquer tipo de pressão, com a atitude certa das grandes equipas, o Dragão fez o que melhor sabe fazer. Geriu as emoções e o esforço, pensou antes de arriscar, aproximou-se rapidamente da probabilidade de sucesso.

Com fé, claro, com muita fé! Este Porto é impar, é fabuloso! Que linda foi a partida! Tanta lágrima, tanto suor, tanto empenho! O F.C. Porto foi frio durante todo o jogo. Agora, na hora de erguer a taça, tem todo o direito de soltar tudo o que remoeu. Em festa, aos pulos. Como quiser.

Amanhã cumpre-se o 17º aniversário da grande noite de Viena. Nada melhor para festejar o calcanhar de Madjer e a qualidade daquele conjunto fantástico do que... a repetição de todas essas sensações. O F.C. Porto é grandioso. O F.C. Porto é especial. O F.C. Porto só sabe ganhar! Esta quarta-feira, em Gelsenkirchen, subiu ao céu, comprou um lugar vitalício junto dos Deuses e alimentou ainda mais paixões. Agora sim o país pode parar. A taça da UEFA Champions League fala a língua de Camões.

FICHA DO JOGO
UEFA Champions League (final)
Estádio Arena Auf Schalke, em Gelsenkirchen
Árbitro: Kim Milton Nielsen (Dianarca)
Assistentes: Jens Larsen e Jorgen Jepsen
4º árbitro: Erik Knud Fisker

MÓNACO: Roma; Ibarra, Rodriguez, Givet e Evra; Zikos; Edouard Cissé, Bernardi e Rothen; Giuly «cap.» e Morientes
Substituições: Giuly por Prso (23m), Edouard Cissé por Nonda (68m) e Givet por Squillaci (71m)
Não utilizados: Tony Sylva, Plasil, Squillaci, Adebayor e El-Fakiri
Treinador: Didier Deschamps

F.C. PORTO: Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa «cap.», Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha, Pedro Mendes, Maniche e Deco; Derlei e Carlos Alberto
Substituições: Carlos Alberto por Alenitchev (60m), Derlei por McCarthy (77m) e Deco por Pedro Emanuel (84m)
Não utilizados: Nuno, Ricardo Costa, Jankauskas e Bosingwa
Treinador: José Mourinho
Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Carlos Alberto (39m), Deco (70m) e Alenitchev (75m)
Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Valente (28m), Carlos Alberto (39m)

in: http://www.fcporto.pt/Info/Futebol/Noticias/infofut_futlcfcpmoncro_260504_7224.asp

domingo, maio 23, 2004

Malta

Localização geográfica: Europa do Sul, Mar Mediterrâneo
Área: 316 km2
População: 379 563 habitantes (1998)
Capital: La Valeta
Outras cidades importantes: Birkirkara, Qormi, Hamrun e Sliema
Data de independência: 1947
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Libra maltesa
Línguas oficiais: Inglês e Maltês
Religião de Estado: Catolicismo

É uma república independente, um pequeno mas estratégico e importante grupo de ilhas situadas no centro do Mar Mediterrâneo. São cinco ilhas: Malta, a maior, Gozo, Comino, Comminotto e Filfla. Ficam a 93 quilómetros do sul da Sicília e situam-se a este da Tunísia e a norte da Líbia. Tem uma área total de 316km2. O porto de Dockyard é o mais importante do país. O clima é tipicamente mediterrânico, quente, com Verões secos, por vezes com Outonos temperados. A vegetação é escassa; no solo arável, que corresponde a dois quintos do território, pratica-se a agricultura. A principal indústria do país é o turismo devido às atractivas praias das ilhas.
A população de Malta está estimada em 379 563 pessoas que são, na sua grande maioria, habitantes das áreas urbanas. Etnicamente, 95% são naturais de Malta e os restantes são ingleses ou descendentes de italianos. As línguas oficiais são o inglês e o maltês. La Valeta é a capital, destacando-se ainda cidades como Birkirkara, Qormi, Hamrun e Sliema.
Malta foi ocupada antes de Cristo pelos Fenícios, Gregos, Cartagineses e Romanos. Segundo a lenda, São Paulo naufragou em Malta no ano 60 d. C. quando andava a converter as populações. A partir desta data, os malteses aderiram ao Cristianismo e a este permanecem fiéis até hoje. Com a divisão do Império Romano em 395 d. C. a zona este da ilha foi cedida ao domínio de Constantinopla. Em 1090 o conde Roger da Sicília conquistou Malta e submeteu-a às suas leis até ao século XVI. Em 1530, Malta foi cedida à Ordem Hospitalar de S. João de Jerusalém, uma ordem religiosa e militar pertencente à Igreja Católica. Em 1798, Napoleão Bonaparte invadiu Malta, mas quatro anos depois retirou-se e a ilha ficou sob a protecção dos ingleses. Foi anexada pelos britânicos em 1814.
Tornou-se base naval inglesa e uma zona estratégica importante durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que foi alvo de inúmeros ataques. Foi condecorada em 1942 com a medalha George Cross, a mais significativa atribuída pelos britânicos. O arquipélago tornou-se autonomamente governado em 1947. Em 1955 Dom Mintoff, líder do Partido Trabalhista de Malta (PTM) tornou-se primeiro-ministro. Em 1956 o PTM propôs uma nova integração no Reino Unido, proposta que viria a ser aceite em referendo, mas com a oposição do Partido Conservador, liderado por Giorgio Borg Olivier. Em 1959 revogaram a autonomia mas voltaram a restaurá-la em 1962. Malta só se tornou totalmente independente em 1964, altura em que aderiu à Commonwealth e celebrou uma aliança com o Reino Unido de ajuda económica e militar. De 1964 a 1971 Malta foi governada pelo Partido Nacionalista.
Em 1974 tornou-se uma república, dois anos depois o Partido Trabalhista regressou ao poder, mas com uma maioria reduzida. Desenvolveu uma política de amizade com a China e com a Líbia. Em 1984 Mintoff retirou-se e foi substituído por Mifsud Bonnici, novo líder do seu partido. Em 1987 voltou ao poder o Partido Nacionalista, este mais voltado para o Ocidente e com uma política de aproximação à União Europeia. Edward Fenech Adami foi eleito primeiro-ministro.
Em Dezembro de 1989, este território foi o local escolhido para um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, George Bush e o presidente da ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev. Em Outubro de 1990 Malta fez o pedido formal de adesão à União Europeia.

quinta-feira, maio 20, 2004

"Tróia" Um filme que vale a pena

Ao longo dos tempos, os homens fizeram a guerra. Uns pelo poder, outros pela glória ou pela honra, e alguns pelo amor. Na antiga Grécia, a paixão proibida de dois dos amantes mais lendários da história, Páris, príncipe de Tróia (Orlando Bloom) e Helena (Diane Kruger), filha de Zeus e de Leda, rainha de Esparta, desencadeia uma guerra que assolará uma civilização. O roubo de Helena ao seu esposo, o rei Menelau (Brendan Gleeson), por parte de Páris, é um insulto que não se pode tolerar. O orgulho familiar estabelece que uma afronta a Menelau é uma afronta ao seu irmão Agamenon (Brian Cox), o poderoso rei de Argos e Micenas, que não tarda em reunir todas as grandes tribos da Grécia para recuperar Helena das mãos dos troianos e defender a honra do seu irmão. A verdade é que a luta pela honra por parte de Agamenon está corrompida pela sua incontida cobiça: ele necessita do controlo de Tróia para assegurar a supremacia do seu já vasto império. A cidade amuralhada, governada pelo rei Príamo (Peter O'Toole) e defendida pelo poderoso príncipe Heitor (Eric Bana), é uma fortaleza inexpugnável, que nenhum exército foi capaz de penetrar. Só um homem se erige na chave para a vitória ou a derrota de Tróia - Aquiles (Brad Pitt), considerado o maior guerreiro vivo. Arrogante, rebelde e aparentemente invencível, Aquiles não sente lealdade por ninguém nem por nada, excepto pela sua própria glória. É a sua insaciável ânsia de fama eterna que o leva a atacar as portas de Tróia sob o estandarte de Agamenon - mas será o amor que finalmente decide o seu destino. Dois mundos vão para a guerra pela honra e pelo poder. Milhares de homens morrerão na sua luta por alcançar a glória. E, por amor, uma nação ficará reduzida a cinzas.
“Espectacular” poderá ser um adjectivo demasiado usado pela publicidade hollywoodiana, mas a Academia das Ciências pode restaurar o seu brilho e esplendor ao aplicá-lo a “Tróia”, um filme épico na tradição de Lawrence, Henry, Nevsky, Ivan e Falstaff.
Adaptar ao grande ecrã esta gesta que o tempo não pode apagar significava uma proeza artística e técnica. Convém esclarecer que “Tróia” é uma versão livre dos mitos do ciclo troiano e não de “A Ilíada”, do poeta grego Homero. O realizador Wolfgang Petersen, apoiado por um excelente argumento de David Benioff, não regateou talento nem esforço para redescobrir a guerra de Tróia com todos os seus matizes íntimos e grandiloquentes. O filme – uma super-produção digna dos mais ambiciosos projectos da cinematografia norte-americana – não descaiu nem para o maniqueísmo nem para o solene. Todos os seus protagonistas estão dispostos a defender o próprio, a não vacilar ante o medo e a desesperança e a apostar as suas mais fieis convicções. A partir desta acertada pintura de personagens e de situações, o filme seduz, aliás, pela magnificência da sua realização, pelo notável vestuário, por uma fotografia que se insere sem fissuras na trama e por uma banda musical que, com tonalidades plenas de emoção, acompanha o relato.
Mas Petersen, um sábio artesão no uso da câmara, contou também com mecanismos visuais para que a sua epopeia troiana não sofresse alterações. Milhares de extras, centenas de barcos, batalhas conjugadas com uma impecável montagem e uma violência nada gratuita são outros valores desta produção que rastreia essas páginas da literatura clássica que já parecem estar muito distantes no espaço e no tempo. Vale-se de todos os efeitos especiais e digitais do arsenal moderno para desdobrar a frota dos mil navios ou o exército dos 10,000 gregos que cercam a cidade de Tróia para resgatar a bela Helena, que Páris raptou ao enganado Menelau. O argumento de Benioff, democratiza “A Ilíada”, evitando a participação directa dos deuses: são invocados mas nunca intrometidos.
“Tróia” é visualmente deslumbrante, mas nunca perde de vista o elemento humano. Brad Pitt combina a arrogância e o fatalismo de Aquiles, imprimindo rasgos de novo cunho na sua moeda estelar. Através da trama, é como se se estivesse a preparar mentalmente para o seu grande momento: o encontro a sós com Príamo. O monarca vem reclamar o cadáver de seu filho Heitor, arrastado em triunfo por Aquiles. O ancião só pede que o deixe levar à pira fúnebre que a sua nobre condição merece. Aquiles tem de decidir entre a sua fúria vingativa e o respeito pelo pesar alheio. Com todas as batalhas e torneios de “Tróia”, esta cena íntima de cinco minutos é realmente memorável.
Nem uma só interpretação falha no conjunto: o irrepreensível Heitor de Eric Bana; o irresponsável Páris de Orlando Bloom; o patético Menelau de Brendan Gleeson; o belicoso Agamenon de Brian Cox; o aguerrido Odisseu (ou Ulisses) de Sean Bean; a indómita Briseis de Rose Byrne; a resignada Andrómaca de Saffron Burrows. Até o bebé de Heitor e Andrómaca é um ladrão de cenas com fraldas.
Falando de latrocínio, a sinfónica partitura de James Horner foi buscar sons a Prokofiev, Shostakovich, Vaughn Williams e nunca dá uma nota discordante em duas horas e meia. Para uma super-produção em grande escala, Petersen cuidou para que os seus personagens quase mitológicos se movam em interiores realistas, onde podem respirar com identificável dimensão humana.
Numa das cenas mais impressionantes de “Tróia”, em que os navios gregos se aproximam da ilha, é possível ter a noção da grandiosidade desta superprodução, orçada em 200 milhões de dólares (quase o dobro do custo de “Gladiador”). Na sequência, a câmara vai-se afastando, abrangendo uma porção cada vez maior do mar, e não param de surgir mais e mais embarcações, centenas delas, até à linha do horizonte. No total, foram mil barcos e 1.200 figurantes utilizados no grandioso épico. O cenário contou com uma estátua de Zeus de mais de 15 metros, e o famoso cavalo de Tróia, com quase 13 metros de altura.
As cenas da entrada do cavalo de madeira na fortaleza de Tróia – uma imagem com poder iconográfico – foram filmadas com enorme realismo. O esforço económico, artesanal e artístico de “Tróia” valeu a pena frente à realidade que oferece o ecrã. Aliás, o cavalo não faz parte de “A Ilíada”, mas de “A Odisseia”, outro poema de Homero, só que, por ser a passagem mais famosa da guerra, foi inserida como clímax do filme. «Havia diferentes modos de contar a história, muitos filmes podiam sair do mesmo texto, mas eu procurei concentrar-me na história humana, principalmente nos personagens Aquiles e Heitor», conta Benioff, que trabalhou um ano no projecto. Por esse motivo, ele deixou em segundo plano – e até de fora, muitas vezes – as intervenções dos deuses descritas por Homero. Zeus e companhia são apenas citados. «Quis contar o mito de Tróia e não “A Ilíada”. O interessante da história é que não há o bem contra o mal, heróis ou vilões».
A guerra de Tróia aconteceu há 3.200 anos, mas “Tróia” actualiza-a com a sua intacta mensagem de carnificina inútil. Como Aquiles diz, com displicência aterradora: «Esta não é a primeira nem será a última».

In http://www.estreia.online.pt/aleph/envelope?filme+ficha:list_movie:1032

quarta-feira, maio 19, 2004

As surpresas de Scolari

Maniche e Moreira são as surpresas de Luiz Felipe Scolari na lista de 23 convocados para a fase final do UEFA EURO 2004™ que foi divulgada ao início de tarde. Fernando Meira e Luís Boa-Morte ficaram de fora.

A surpresa e a confirmação
Se Moreira é uma novidade, pois nunca tinha sido chamado pelo técnico brasileiro, e está convocado por José Romão para o Europeu de sub-21, Maniche é a grande surpresa, uma vez que não fazia parte da Selecção Nacional desde Setembro, altura em que Portugal foi derrotado pela Espanha, por 3-0, em Guimarães.

Maniche dá garantias
"É um atleta que tem estado bem. Houve algumas situações no passado e eu quis mostrar-lhe algumas coisas. Tem características especiais para jogar em várias posições e pode ser muito útil caso tenhamos dificuldades nessa área. É um atleta que nos dá garantias", disse o seleccionador nacional.

Dúvida dissipada
A grande dúvida residia no nome do terceiro guarda-redes convocado, havendo quem apostasse numa surpresa de última hora chamada...Vítor Baía. Mas Scolari optou pela juventude de Moreira recusando admitir que a escolha divide os portugueses.

Apoio aos escolhidos
Na opinião do técnico, "...todos os portugueses estão convocados. Os portugueses têm que ter a certeza que o seu seleccionador escolhe os que melhor servem os interesses da equipa e devem concentrar-se no apoio aos que estão escolhidos e não aos não-escolhidos".

Rui Jorge e mais seis
No sector defensivo a principal dúvida foi dissipada ontem depois do anúncio do arquivamento do processo de Rui Jorge. O nome de Fernando Meira, que após uma grande ausência, foi chamado para o jogo com a Suécia, no passado mês de Abril, era uma hipótese pouco provável, tendo em conta a regularidade do quarteto de centrais formado por Fernando Couto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Beto.

Liderança a meio-campo
Scolari reservou para o meio-campo a grande surpresa. Depois de uma grande época ao serviço do FC Porto, Maniche, junta-se assim aos criativos Figo, Rui Costa e Deco e ao rigor táctico de Costinha, Tiago e Petit. O sector nevrálgico do campo vai ser ocupado por jogadores de grande experiência a nível internacional. O mais jovem dos convocados deste lote, Tiago, convenceu o seleccionador com a boa época ao serviço do Benfica.

Postiga reforça ataque
Na frente, Ronaldo depois de uma época promissora ao serviço do Manchester United FC, conquista a uma presença no maior palco do futebol europeu com apenas 19 anos. Apesar de ser capaz de jogar nos dois flancos a titularidade deve recair sobre Simão Sabrosa, que depois de ter falhado o Mundial de 2002, por lesão, vê-se, pela primeira vez, no lote dos eleitos de uma grande competição de selecções. Aos pontas-de-lança habituais, Pauleta e Nuno Gomes, juntou-se, em definitivo, Hélder Postiga, que, apesar de pouco utilizado no Tottenham Hotspur FC, pode ser importante no caso de Scolari ser obrigado a reforçar o ataque.

Várias opções de ataque
"O Hélder Postiga é um bom jogador que tem características diferentes dos outros avançados. Se tivéssemos só dois pontas-de-lança e houvesse algum problema isso não nos permitia ter a possibilidade de alterar o esquema táctico.", esclareceu Scolari.

Guarda-redes
Ricardo (Sporting CP)
Quim (SC Braga)
Moreira (SL Benfica)

Defesas
Jorge Andrade (RC Deportivo La Coruña)
Fernando Couto (S.S. Lazio)
Ricardo Carvalho (FC Porto)
Miguel (SL Benfica)
Paulo Ferreira (FC Porto)
Nuno valente (FC Porto)
Rui Jorge (Sporting CP)
Beto (Sporting CP)

Médios
Tiago (SL Benfica)
Petit (SL Benfica)
Costinha (FC Porto)
Deco (FC Porto)
Rui Costa (AC Milan)
Luís Figo (Real Madrid CF)
Maniche (FC Porto)

Avançados
Pauleta (Paris Saint-Germain FC)
Cristiano Ronaldo(Manchester United FC)
Simão Sabrosa (SL Benfica)
Nuno Gomes (SL Benfica)
Hélder Postiga (Tottenham Hotspur FC)

In http://pt.euro2004.com/News/Kind=1/newsId=180298.html

domingo, maio 16, 2004

Chipre

Localização geográfica: Ásia, noroeste do Mar Mediterrâneo
Área: 9 251 km2
População: 748 982 habitantes (1998)
Capital: Nicósia
Outra cidade importante: Limassol
Data de independência: 1960
Regime político: República multipartidária
Unidade monetária: Libra cipriota
Línguas oficiais: Grego e Turco
Religiões maioritárias: Cristianismo, Ortodoxo Grego e Islamismo

Ilha do noroeste do Mar Mediterrâneo, situada a 64 km sul da Turquia, a 97 km oeste da Síria e a 402 km norte do delta do Nilo, no Egipto. Tem uma área de 9 251 km2, o que a torna na terceira maior ilha do Mediterrâneo. Os principais centros urbanos são Nicósia, a capital, e Limassol. O clima é mediterrânico e a temperatura média anual é de 19 oC.
Chipre tem uma economia livre baseada, sobretudo, no comércio e na indústria. O turismo oferece, ao país, uma grande fonte de divisas estrangeiras. A agricultura nacional desenvolveu-se graças à irrigação, o que permitiu a introdução dos citrinos, para além de já serem cultivados a batata, a uva, o milho, a cevada, a alfarroba e o tabaco. A indústria mineral encontra-se bem desenvolvida e produz a pedra de cal, a marga, o gesso, o mármore, o asbesto, a pirite e o crómio. A indústria abrange o petróleo refinado, os materiais de construção, o vinho, a cerveja, o calçado, o vestuário e os cigarros. Os produtos exportados são os artigos de vestuário, o calçado, a batata, os citrinos, a alfarroba e o tabaco e destinam-se, principalmente ao Reino Unido, ao Líbano, à Turquia e à Arábia Saudita. As importações provêm da Turquia, do Reino Unido, da Itália e da Alemanha e incluem os produtos alimentares, os produtos petrolíferos e o equipamento para os transportes.
A população do Chipre está estimada em 748 982 habitantes, o que corresponde a uma densidade de 81 hab./km2. As etnias principais do país são a grega, com 79%, e a turca, com 19%. As religiões com a maior expressão são a ortodoxa grega, com 76%, e a muçulmana, com 19%. As línguas oficiais são o grego e o turco.
Em 1191, durante uma cruzada à Terra Santa, o Rei Ricardo I da Inglaterra conquistou a ilha e concedeu-a ao rei Guy de Lusignan de Jerusalém. Imediatamente foi criada uma monarquia feudal que se prolongou até à Idade Média. Algum tempo depois, os mercadores de Génova e de Veneza passaram a controlar o comércio da ilha até ao século XV, altura em que se tornou parte do Império Veneziano. Em 1573, os turcos otomanos tomaram Chipre e instauraram um arcebispado.
No início do século XIX começaram sérias revoltas na ilha. Em 1878, os britânicos assumiram o controlo do território, depois da autorização do sultão turco que continuou a ser o soberano do Chipre. Mas, com a Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra anexou a ilha e, em 1915, ofereceu-a à Grécia. Em 1924, tornou-se uma colónia da coroa britânica. Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiu um movimento grego cipriota que se acentuou com actos de terrorismo contra os opositores britânicos e cipriotas. Em 1960 o Chipre tornou-se independente, mas a violência continuou. Em 1974, a Guarda Nacional do Chipre levou a cabo um golpe de estado. As forças turcas invadiram o território e, um mês depois, passou a controlar o norte da ilha. Os cipriotas turcos formaram governo, embora apenas reconhecido pela Turquia, e a zona sul permaneceu sob o controlo grego. A partir de meados da década de 1980 iniciaram-se conversações acerca da reunificação iniciaram, embora nunca tenham tido sucesso.

Crónicas sobre o Alargamento

Durante dez crónicas vou dar-te a conhecer, por dentro, todos os países que, no último 1º de Maio, se juntaram à União Europeia:

Chipre, Malta, Hungria, Eslovénia, Eslováquia, República Checa, Polónia, Lituânia, Letónia e Estónia.