FUI VER ESTE FILME COM A MINHA MENINA NA SALA 4 DO PARQUE ATLÂNTICO PELAS 21:30
Depois de ''O Sexto Sentido'', ''O Protegido'' e ''Sinais'', M. Night Shyamalan está de regresso ao grande ecrã com ''A Vila''. Mas as novidades são poucas: o realizador insiste na receita habitual de criar um final-surpresa e o argumento acaba por sair fragilizado.Desta vez a acção centra-se na população de uma pequena vila isolada da Pensilvânia, no final do século XIX, que parece levar uma vida quase perfeita, apesar dos seus estranhos vizinhos. Há muito que eles sabem da existência de criaturas misteriosas que vivem nos bosques que rodeiam as suas casas. Mas, graças a um antiga trégua, estes seres - a quem eles se referem como ''aqueles de quem não falamos'' (those we don't speak of) - não os atacam desde que estes não ousem atravessar os limites da povoação, os presenteiem regularmente com alguns bocados de carne e evitem usar vermelho. Durante a noite há tochas que iluminam o perímetro da vila e um guarda nocturno que fica numa torre mas, apesar disso, a vida decorre como numa bonita história infantil, por entre festas de casamento, bailes e banquetes ao ar livre.A comunidade divide-se em dois grupos: o dos mais velhos, liderado por William Hurt, e o dos mais novos que contestam o medo dos pais. Quando o irmão de um dos líderes da vila morre o jovem e curioso Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) oferece-se para atravessar esta fronteira à procura de medicamentos para futuras emergências. A sua vontade de entrar no desconhecido vem ameaçar o futuro da vila. À medida que os sinais nas portas e as cabeças de gado decepadas se multiplicam, o medo começa a espalhar-se pela comunidade...''A Vila'' funciona como uma alegoria para o ambiente que se vive nos EUA desde os ataques terroristas, com a paranóia das constantes elevações dos códigos de alerta. Segundo explicou M. Night Shyamalan à revista Época, o filme nasceu da sua reacção emocional ao 11 de Setembro. ''Estamos num período da História em que tudo vai terminar terrivelmente mal ou vamos atingir uma nova era dourada, talvez até com a morte da religião. Existe um desejo latente de sermos todos inocentes novamente'', disse o cineasta. Shyamalan é um realizador que sabe como criar uma eficaz atmosfera de suspense e, em A Vila, ele utiliza todos os truques que conhece para gerar um clima de tensão, quase insuportável. Há sombras que atravessam rapidamente o ecrã, ruídos que parecem aproximar-se por trás da plateia e longos momentos de silêncio que ajudam a agudizar o suspense. O filme contém algumas cenas visualmente bem conseguidas e excelentes interpretações (destaque para Adrien Brody e Bryce Dallas). Infelizmente, Shyalaman não tem os mesmos dons de argumentista e ficou preso numa armadilha que ele próprio criou – a obrigação de criar um final-surpresa - o que faz com que cada novo projecto pareça mais fraco. Apesar de ter algumas qualidades, este ''A Vila'' não sobrevive a uma análise apurada e o final-surpresa acaba por ser um verdadeiro banho de água fria.
segunda-feira, novembro 29, 2004
segunda-feira, novembro 15, 2004
Terminal de Aeroporto
FUI VER ESTE FILME, HOJE, 14/11 NA SALA 1 DO PARQUE ATLÂNTICO COM A MINHA NAMORADA, MARINA
Viktor Navorski (Tom Hanks) é um imigrante de leste (Krakozhia, terra de ficção) que se encontra retido no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque, porque o seu país de origem deixa de existir, enquanto este voa em direcção à América, invalidando o seu passaporte. Ele vê-se então na situação de não ter autorização para entrar nos Estados Unidos, embora ninguém o obrigue a sair. Navorski tem de se organizar, de modo a passar os seus dias e noites na sala dos passageiros em trânsito, numa espécie de limbo existencial, até que a guerra que eclodiu no seu país acabe. É assim que ele se instala na Porta 67, onde vai comendo fast food e aprende a viver das moedas devolvidas pelos carrinhos das bagagens. À medida que as semanas e meses vão passando, Viktor descobre que o micro-universo do terminal é um mundo rico e complexo, recheado de absurdos, generosidade, ambição, divertimento e até de romance, graças a uma bonita hospedeira chamada Amelia (Catherine Zeta-Jones). O problema é que Viktor esgotou, há muito, as boas vindas de Frank Dixon, o director do aeroporto, que o considera um problema técnico da burocracia, qualquer coisa que não pode contornar mas que quer desesperadamente fazer desaparecer.Apesar do argumento parecer caricato, ele é inspirado num caso bem real: o de Merhan Karim Nasseri - ou Alfred, como é conhecido no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Merhan é um cidadão iraniano, exilado político depois de se ter manifestado contra o Xá do Irão nos anos 70. Em 1988, ele não consegue entrar em Londres por ter apenas uma fotocópia do passaporte e é expulso para Paris, local onde embarcara. Sucedem-se uma série de absurdos burocráticos e ele começa a aprender a viver no aeroporto, entre pilotos, hospedeiras, empregados de cafés e restaurantes. Em 1999, a Bélgica interessa-se pelo caso e resolve dar-lhe um passaporte válido mas Alfred já não quer sair do aeroporto.Obviamente, o argumento de Spielbergh coloca a situação nos domínios da fábula, pondo Viktor Navorski em contacto com uma série de personagens que simbolizam o melting pot americano, desde uma hospedeira de terra, interpretada por Catherine Zeta-Jones, uma mulher do "midwest" americano, até aos passageiros judeus ou hare-krishnas, passando pelo pessoal que trabalha no aeroporto, como é o caso da personagem do mexicano Diego Luna (''E a tua mãe também''), que é um dos representantes do mosaico étnico americano. Temos assim construído o micro-cosmos da sociedade americana com um verdadeiro americano (é assim que muitos vêem Tom Hanks) como figura central desta narrativa.Apesar de Steven Spielberg não ser propriamente um cineasta político, a decisão de situar a acção do seu filme num aeroporto americano não é inocente. Nos tempos de desconfiança que varrem a América e o mundo ocidental, este local é o palco ideal para lançar algumas reflexões. À priori, um aeroporto é sempre um sítio onde qualquer viajante se sente pequeno ou até inseguro e serve também para ilustrar na perfeição o verdadeiro melting pot que é a América e a forma como a frieza das fronteiras e as manobras de segurança dificultam que dele se tire melhor partido. Como quase sempre acontece nas obras de Spielberg, o objectivo último deste ''Terminal de Aeroporto'' é pôr o público a sonhar, a emocionar-se e a sorrir. ''Este é um tempo em que precisamos de rir e é para isso que servem os filmes de Hollywood, para fazer rir as pessoas que vivem tempos difíceis'', disse o realizador.
Viktor Navorski (Tom Hanks) é um imigrante de leste (Krakozhia, terra de ficção) que se encontra retido no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque, porque o seu país de origem deixa de existir, enquanto este voa em direcção à América, invalidando o seu passaporte. Ele vê-se então na situação de não ter autorização para entrar nos Estados Unidos, embora ninguém o obrigue a sair. Navorski tem de se organizar, de modo a passar os seus dias e noites na sala dos passageiros em trânsito, numa espécie de limbo existencial, até que a guerra que eclodiu no seu país acabe. É assim que ele se instala na Porta 67, onde vai comendo fast food e aprende a viver das moedas devolvidas pelos carrinhos das bagagens. À medida que as semanas e meses vão passando, Viktor descobre que o micro-universo do terminal é um mundo rico e complexo, recheado de absurdos, generosidade, ambição, divertimento e até de romance, graças a uma bonita hospedeira chamada Amelia (Catherine Zeta-Jones). O problema é que Viktor esgotou, há muito, as boas vindas de Frank Dixon, o director do aeroporto, que o considera um problema técnico da burocracia, qualquer coisa que não pode contornar mas que quer desesperadamente fazer desaparecer.Apesar do argumento parecer caricato, ele é inspirado num caso bem real: o de Merhan Karim Nasseri - ou Alfred, como é conhecido no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Merhan é um cidadão iraniano, exilado político depois de se ter manifestado contra o Xá do Irão nos anos 70. Em 1988, ele não consegue entrar em Londres por ter apenas uma fotocópia do passaporte e é expulso para Paris, local onde embarcara. Sucedem-se uma série de absurdos burocráticos e ele começa a aprender a viver no aeroporto, entre pilotos, hospedeiras, empregados de cafés e restaurantes. Em 1999, a Bélgica interessa-se pelo caso e resolve dar-lhe um passaporte válido mas Alfred já não quer sair do aeroporto.Obviamente, o argumento de Spielbergh coloca a situação nos domínios da fábula, pondo Viktor Navorski em contacto com uma série de personagens que simbolizam o melting pot americano, desde uma hospedeira de terra, interpretada por Catherine Zeta-Jones, uma mulher do "midwest" americano, até aos passageiros judeus ou hare-krishnas, passando pelo pessoal que trabalha no aeroporto, como é o caso da personagem do mexicano Diego Luna (''E a tua mãe também''), que é um dos representantes do mosaico étnico americano. Temos assim construído o micro-cosmos da sociedade americana com um verdadeiro americano (é assim que muitos vêem Tom Hanks) como figura central desta narrativa.Apesar de Steven Spielberg não ser propriamente um cineasta político, a decisão de situar a acção do seu filme num aeroporto americano não é inocente. Nos tempos de desconfiança que varrem a América e o mundo ocidental, este local é o palco ideal para lançar algumas reflexões. À priori, um aeroporto é sempre um sítio onde qualquer viajante se sente pequeno ou até inseguro e serve também para ilustrar na perfeição o verdadeiro melting pot que é a América e a forma como a frieza das fronteiras e as manobras de segurança dificultam que dele se tire melhor partido. Como quase sempre acontece nas obras de Spielberg, o objectivo último deste ''Terminal de Aeroporto'' é pôr o público a sonhar, a emocionar-se e a sorrir. ''Este é um tempo em que precisamos de rir e é para isso que servem os filmes de Hollywood, para fazer rir as pessoas que vivem tempos difíceis'', disse o realizador.
domingo, novembro 14, 2004
Man on Fire
FUI VER ESTE THRILLER HOJE, 13/11 PELAS 21:40 NA SALA 2 CASTELLO LOPES CINEMAS NO PARQUE ATLÂNTICO EM PONTA DELGADA, COM A MINHA QUERIDA NAMORADA, MARINA
Género:Thriller
Titulo Original: Man On Fire
Titulo em Português: Homem Em Fúria
Realização: Tony Scott
Actores: Chris Walken, Dakota Fanning, Denzel Washington
Estudios: Fox 2000 Pictures/New Regency Pictures
Produtor: Lucas Foster, Arnon Milchan
Fotografia: Paul CameronMontagem: Christian Wagner
País: E.U.A
Duração: 01:00:00
Uma onda de raptos invadiu o México, provocando o pânico entre os cidadãos, especialmente naqueles que são pais. John Creasy, um ex-agente da CIA, desiludido com a vida, é contratado para ser guarda-costas de uma criança de 9 anos, Pita Ramos, filha dum industrial. Quando Pita é raptada, Creasy vai encontrar um novo propósito na vida.
Género:Thriller
Titulo Original: Man On Fire
Titulo em Português: Homem Em Fúria
Realização: Tony Scott
Actores: Chris Walken, Dakota Fanning, Denzel Washington
Estudios: Fox 2000 Pictures/New Regency Pictures
Produtor: Lucas Foster, Arnon Milchan
Fotografia: Paul CameronMontagem: Christian Wagner
País: E.U.A
Duração: 01:00:00
Uma onda de raptos invadiu o México, provocando o pânico entre os cidadãos, especialmente naqueles que são pais. John Creasy, um ex-agente da CIA, desiludido com a vida, é contratado para ser guarda-costas de uma criança de 9 anos, Pita Ramos, filha dum industrial. Quando Pita é raptada, Creasy vai encontrar um novo propósito na vida.
segunda-feira, novembro 08, 2004
terça-feira, novembro 02, 2004
Madredeus em Ponta Delgada
O grupo lisboeta Madredeus deu hoje, 01 de Novembro pelas 21:30 no Teatro Micaelense em Ponta Delgada, um concerto memorável. Eu, a minha Marina, a minha mana e o seu namorado estivemos lá!
"Um Amor Infinito
Há 19 anos que existe um grupo independente de músicos e autores/compositores, chamado de Madredeus. Passaram 17 anos, desde que foi editado o seu primeiro disco. Este grupo foi criado para dizer através da música e da escrita de poesia, coisas que de outro modo não se podem dizer, ou não chegam a ser ouvidas, coisas de Lisboa, coisas de Portugal, coisas de toda a Humanidade, coisas da Terra e coisas do Céu, na nossa época.Ao longo destes anos fomos tentando enunciar o nosso projecto no mundo,através da pulsante actividade pública da nossa companhia musicalitinerante.Os Madredeus, cultivaram o espectáculo ao vivo, o amor pela música.Viajaram incessantemente.Sabemos que poucos grupos da música popular duraram tantos anos, e não queríamos vir a ser surpreendidos pelo inevitável fim, sem termos tentado expressamente agradecer ( como se pode fazer através da nossa arte), a todo esse público desconhecido, que em tantas cidades, em tantos países e tão repetidas vezes, nos esperou, e depois nos escutou, com tanta atenção e no mais profundo silêncio.O nosso novo disco,que é apresentação do nosso futuro concerto, encerra no entanto, um desejo particular, que é o de se querer tornar num gesto de agradecimento e insinuar o nosso reconhecimento a todas essas pessoas que pelo menos numa noite partilharam e ajudaram a definir, a nossa fantasia e onosso sentimento.A todos eles, vai dedicado o melhor que temos, a melhor música que conseguimos fazer, sem alterar nem o espírito nem o estilo, nem as regras de escrita dos Madredeus.Encontrámos, na nossa estrada, um amor Infinito, concerto após concerto, ano após ano, disco após disco, gostávamos que isto se soubesse e queríamos aproveitar esta oportunidade para o agradecer." Um Amor Infinito " ,este disco que agora se publica, encerra uma parte do nosso novo concerto, apresenta uma parte do repertório que futuramente se apresentará ao vivo. " Um Amor Infinito" , é uma fantasia musical de raíz portuguesa, como o foram todos os outros discos, canta o amor do hemisfério lusitano, um amor que é humano e universal, o amor dos mistérios da saudade." Um Amor Infinito " ,já apresenta também uma das canções que escrevemos a Lisboa.Escrevemos para este concerto, o quinto concerto dos Madredeus, uma série de canções dedicadas a Lisboa, a "quem" também quisemos agradecer, de forma simbólica, toda a inspiração e imaginário que constituiu para o grupo.A segunda parte do recital, que só será editada mais tarde,durante a digressão, mas que já se encontra gravada, apresentará as outras canções de Lisboa, com que agora nos determinámos a viajar.Esperamos que gostem, das guitarras, dos poemas, dos arranjos musicais,enfim, das canções que nós escrevemos e que a Teresa Salgueiro canta, ao longo de " Um Amor Infinito ". Muito obrigado também, pela vossa atenção"
Pedro Ayres Magalhães
"Um Amor Infinito
Há 19 anos que existe um grupo independente de músicos e autores/compositores, chamado de Madredeus. Passaram 17 anos, desde que foi editado o seu primeiro disco. Este grupo foi criado para dizer através da música e da escrita de poesia, coisas que de outro modo não se podem dizer, ou não chegam a ser ouvidas, coisas de Lisboa, coisas de Portugal, coisas de toda a Humanidade, coisas da Terra e coisas do Céu, na nossa época.Ao longo destes anos fomos tentando enunciar o nosso projecto no mundo,através da pulsante actividade pública da nossa companhia musicalitinerante.Os Madredeus, cultivaram o espectáculo ao vivo, o amor pela música.Viajaram incessantemente.Sabemos que poucos grupos da música popular duraram tantos anos, e não queríamos vir a ser surpreendidos pelo inevitável fim, sem termos tentado expressamente agradecer ( como se pode fazer através da nossa arte), a todo esse público desconhecido, que em tantas cidades, em tantos países e tão repetidas vezes, nos esperou, e depois nos escutou, com tanta atenção e no mais profundo silêncio.O nosso novo disco,que é apresentação do nosso futuro concerto, encerra no entanto, um desejo particular, que é o de se querer tornar num gesto de agradecimento e insinuar o nosso reconhecimento a todas essas pessoas que pelo menos numa noite partilharam e ajudaram a definir, a nossa fantasia e onosso sentimento.A todos eles, vai dedicado o melhor que temos, a melhor música que conseguimos fazer, sem alterar nem o espírito nem o estilo, nem as regras de escrita dos Madredeus.Encontrámos, na nossa estrada, um amor Infinito, concerto após concerto, ano após ano, disco após disco, gostávamos que isto se soubesse e queríamos aproveitar esta oportunidade para o agradecer." Um Amor Infinito " ,este disco que agora se publica, encerra uma parte do nosso novo concerto, apresenta uma parte do repertório que futuramente se apresentará ao vivo. " Um Amor Infinito" , é uma fantasia musical de raíz portuguesa, como o foram todos os outros discos, canta o amor do hemisfério lusitano, um amor que é humano e universal, o amor dos mistérios da saudade." Um Amor Infinito " ,já apresenta também uma das canções que escrevemos a Lisboa.Escrevemos para este concerto, o quinto concerto dos Madredeus, uma série de canções dedicadas a Lisboa, a "quem" também quisemos agradecer, de forma simbólica, toda a inspiração e imaginário que constituiu para o grupo.A segunda parte do recital, que só será editada mais tarde,durante a digressão, mas que já se encontra gravada, apresentará as outras canções de Lisboa, com que agora nos determinámos a viajar.Esperamos que gostem, das guitarras, dos poemas, dos arranjos musicais,enfim, das canções que nós escrevemos e que a Teresa Salgueiro canta, ao longo de " Um Amor Infinito ". Muito obrigado também, pela vossa atenção"
Pedro Ayres Magalhães
sábado, outubro 30, 2004
Fahrenheit 9/11
FUI VER ESTE FILME COM OS MEUS AMIGOS BYKAS E FERNANDO HOJE, 29/10, NA SALA 2 DO CINE SOL-MAR
Premiado com a Palma de Ouro da edição deste ano do Festival de Cannes, o novo filme de Michael Moore é a crítica mais eficaz a George W. Bush que o mundo do espectáculo pariu até agora. ''Fahrenheit 9/11'' é um documentário que espeta o dedo bem no meio de um triângulo cujos vértices são o petróleo, os EUA, e as guerras do Iraque e do Afeganistão. Depois de tantas análises e observações por parte dos media sobre o assunto, este documentário não teria o seu efeito se a figura de Mr. Bush (''Shame on you'') não tivesse também sido ridicularizada ao limite. O presidente do país mais poderoso do mundo é apresentado como um títere nas mãos das milionárias famílias sauditas, um rapaz sem vocação para alguma coisa, um homem que vocifera discursos omnipotentes, mas que estremece por dentro quando sai dos directos da televisão. Com as habituais ligações que toda a gente suspeitava, mas que ninguém conseguia (ou tinha a coragem) de mostrar de forma tão clara, Michael Moore consegue uma excelente hora e meia de esclarecimentos e boas verdades, um verdadeiro terramoto político.O objectivo agora é acabar de vez com as mentiras do presidente dos EUA e evitar a sua reeleição. E se eu fosse George W. Bush e tivesse visto este filme, escondia a cabeça e nunca mais voltava a aparecer. Se critica o estado actual das coisas, veja este filme.
Premiado com a Palma de Ouro da edição deste ano do Festival de Cannes, o novo filme de Michael Moore é a crítica mais eficaz a George W. Bush que o mundo do espectáculo pariu até agora. ''Fahrenheit 9/11'' é um documentário que espeta o dedo bem no meio de um triângulo cujos vértices são o petróleo, os EUA, e as guerras do Iraque e do Afeganistão. Depois de tantas análises e observações por parte dos media sobre o assunto, este documentário não teria o seu efeito se a figura de Mr. Bush (''Shame on you'') não tivesse também sido ridicularizada ao limite. O presidente do país mais poderoso do mundo é apresentado como um títere nas mãos das milionárias famílias sauditas, um rapaz sem vocação para alguma coisa, um homem que vocifera discursos omnipotentes, mas que estremece por dentro quando sai dos directos da televisão. Com as habituais ligações que toda a gente suspeitava, mas que ninguém conseguia (ou tinha a coragem) de mostrar de forma tão clara, Michael Moore consegue uma excelente hora e meia de esclarecimentos e boas verdades, um verdadeiro terramoto político.O objectivo agora é acabar de vez com as mentiras do presidente dos EUA e evitar a sua reeleição. E se eu fosse George W. Bush e tivesse visto este filme, escondia a cabeça e nunca mais voltava a aparecer. Se critica o estado actual das coisas, veja este filme.
sábado, outubro 16, 2004
Os Crimes de Wonderland
FUI VER ESTE FILME COM A MINHA MENINA HOJE, 15/10, ÀS 22H NA SALA 2 DO CINE SOL-MAR EM PONTA DELGADA
"Os Crimes de Wonderland" explora, num estilo Rashomon, os brutais múltiplos homicídios que tiveram lugar na Av. Wonderland, em Laurel Canyon, Los Angeles, durante o Verão de 1981.
Inicialmente, o caso parecia apenas envolver os habituais traficantes de droga e frequentadores de festas, mas rapidamente se tornou um clássico noir de Los Angeles quando se descobriu a ligação do infame rei da pornografia John C. “Johnny Wadd” Holmes.
No momento em que a história começa, Holmes estava caído em desgraça: deixara de ser a maior e mais famosa estrela da indústria hardcore e estava num estado de total ruína financeira e farmacêutica.
Interpretado por Val Kilmer, Holmes é totalmente dedicado à sua namorada adolescente Dawn (Bosworth), embora ainda esteja casado com Sharon (Kudrow), e os três formam um muito pouco convencional triângulo amoroso.
No meio da espiral da sua queda, Holmes torna-se amigo dos traficantes de droga locais: Ron (Josh Lucas) e Susan Launius (Christina Applegate), e o seu “parceiro de negócios”, David Lind (Dylan McDermott), que operava fora do local das festas em Wonderland.
Holmes está fora do seu ambiente natural neste mundo de vida e morte que é o dos crimes de droga onde se aposta muito alto, mas rapidamente se deixa envolver nisto tudo até ao pescoço.
Desesperado por dinheiro e droga, o gang de Wonderland decide roubar um dealer amigo de John – o famoso gangster Eddie Nash (Eric Bogosian).
É logo após este assalto que se dá o massacre de Wonderland.
Será que Holmes tramou os seus companheiros de Wonderland para se safar à ira de Nash? Tudo depende da história em que se quiser acreditar.
Realização: James Cox
Com: Val Kilmer, Lisa Kudrow, Kate Bosworth, Dylan McDermott, Josh Lucas, Christina Applegate, Eric Bogosian
Género: Crime, Drama, Thriller
Distribuição: LNK
EUA, Canandá, 2004
1 h 44 min.
"Os Crimes de Wonderland" explora, num estilo Rashomon, os brutais múltiplos homicídios que tiveram lugar na Av. Wonderland, em Laurel Canyon, Los Angeles, durante o Verão de 1981.
Inicialmente, o caso parecia apenas envolver os habituais traficantes de droga e frequentadores de festas, mas rapidamente se tornou um clássico noir de Los Angeles quando se descobriu a ligação do infame rei da pornografia John C. “Johnny Wadd” Holmes.
No momento em que a história começa, Holmes estava caído em desgraça: deixara de ser a maior e mais famosa estrela da indústria hardcore e estava num estado de total ruína financeira e farmacêutica.
Interpretado por Val Kilmer, Holmes é totalmente dedicado à sua namorada adolescente Dawn (Bosworth), embora ainda esteja casado com Sharon (Kudrow), e os três formam um muito pouco convencional triângulo amoroso.
No meio da espiral da sua queda, Holmes torna-se amigo dos traficantes de droga locais: Ron (Josh Lucas) e Susan Launius (Christina Applegate), e o seu “parceiro de negócios”, David Lind (Dylan McDermott), que operava fora do local das festas em Wonderland.
Holmes está fora do seu ambiente natural neste mundo de vida e morte que é o dos crimes de droga onde se aposta muito alto, mas rapidamente se deixa envolver nisto tudo até ao pescoço.
Desesperado por dinheiro e droga, o gang de Wonderland decide roubar um dealer amigo de John – o famoso gangster Eddie Nash (Eric Bogosian).
É logo após este assalto que se dá o massacre de Wonderland.
Será que Holmes tramou os seus companheiros de Wonderland para se safar à ira de Nash? Tudo depende da história em que se quiser acreditar.
Realização: James Cox
Com: Val Kilmer, Lisa Kudrow, Kate Bosworth, Dylan McDermott, Josh Lucas, Christina Applegate, Eric Bogosian
Género: Crime, Drama, Thriller
Distribuição: LNK
EUA, Canandá, 2004
1 h 44 min.
quinta-feira, outubro 07, 2004
Pedaços de Uma Vida
FUI VER ESTE FILME COM A MINHA NAMORADA NA SALA 2 DO CENTRO COMERCIAL SOL-MAR EM PONTA DELGADA DIA 2004.10.06
''Pedaços de Uma Vida'', ou no original ''Pieces of April'' marca a estreia de Peter Hedges na realização e traz já alguns créditos na bagagem. O filme valeu a Patricia Clarkson uma nomeação para melhor actriz secundária nos Óscares deste ano e foi também destacado pela excelente banda sonora, assinada por Stephin Merritt dos Magnetic Fields. Se este facto pode ser mais ou menos irrelevante para o resultado final, o mesmo já não se pode dizer quanto ao primeiro que revela algo de significativo em relação a este filme. ''Pedaços de Uma Vida'' é um filme de personagens que vive sobretudo das interpretações dos seus actores.Peter Hedges, que começou a sua carreira como argumentista (''Gilbert Grape'', ''About a Boy''), apresenta um argumento imaginativo e engenhoso que explora bem uma situação: a de um almoço em família num dia especial.A acção passa-se durante o dia de Acção de Graças, quando uma rapariga (Katie Holmes) que vive sozinha em Nova Iorque prepara o tradicional perú para o almoço com a família, que vem a caminho. A atenção da câmara vai-se dividindo entre duas situações caricatas: de um lado está Holmes a tentar desesperadamente cozinhar a tempo um almoço apetitoso; do outro, as peripécias da viagem em família. Com o desenrolar do filme, o espectador vai descobrindo mais acerca deste clã. Percebe-se que a mãe (Clarkson) está doentes e que a filha é vista pelos membros desta família como uma ''desnaturada'', embora nunca se perceba muito bem porquê. Hedges consegue explorar de forma competente as tensões familiares e tece um olhar original sobre o tema da família como núcleo afectivo cheio de contradições, evitando sempre cair no sentimentalismo e usando o humor e o distanciamento como armas.
''Pedaços de Uma Vida'', ou no original ''Pieces of April'' marca a estreia de Peter Hedges na realização e traz já alguns créditos na bagagem. O filme valeu a Patricia Clarkson uma nomeação para melhor actriz secundária nos Óscares deste ano e foi também destacado pela excelente banda sonora, assinada por Stephin Merritt dos Magnetic Fields. Se este facto pode ser mais ou menos irrelevante para o resultado final, o mesmo já não se pode dizer quanto ao primeiro que revela algo de significativo em relação a este filme. ''Pedaços de Uma Vida'' é um filme de personagens que vive sobretudo das interpretações dos seus actores.Peter Hedges, que começou a sua carreira como argumentista (''Gilbert Grape'', ''About a Boy''), apresenta um argumento imaginativo e engenhoso que explora bem uma situação: a de um almoço em família num dia especial.A acção passa-se durante o dia de Acção de Graças, quando uma rapariga (Katie Holmes) que vive sozinha em Nova Iorque prepara o tradicional perú para o almoço com a família, que vem a caminho. A atenção da câmara vai-se dividindo entre duas situações caricatas: de um lado está Holmes a tentar desesperadamente cozinhar a tempo um almoço apetitoso; do outro, as peripécias da viagem em família. Com o desenrolar do filme, o espectador vai descobrindo mais acerca deste clã. Percebe-se que a mãe (Clarkson) está doentes e que a filha é vista pelos membros desta família como uma ''desnaturada'', embora nunca se perceba muito bem porquê. Hedges consegue explorar de forma competente as tensões familiares e tece um olhar original sobre o tema da família como núcleo afectivo cheio de contradições, evitando sempre cair no sentimentalismo e usando o humor e o distanciamento como armas.
quarta-feira, outubro 06, 2004
QUE INJUSTIÇA!
ESCREVI ESTA CARTA AO PROFESSOR DOUTOR MARCELO REBELO DE SOUSA POR ACHAR INDECENTE O QUE FIZERAM AO COMENTADOR.
Ponta Delgada, 6 de Outubro de 2004
Caríssimo Sr. Professor,
É com muita indignação que soube que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa já cessou a sua participação no Jornal Nacional na TVI aos domingos com os seus sábios comentários.
Chamo-me Miguel Maurício, sou estudante universitário de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores e tenho 26 anos.
Silenciar uma pessoa como o Sr. Professor é sintoma que algo não corre bem neste nosso Portugal, Estado de Direito democrático. Temo que o Estado Novo, na sua expressão de controlador da opinião das pessoas, regressou neste governo de Santana Lopes.
Não tenho problemas em dizer-lhe que sou militante do PSD. Mas isso não faz de mim um acérrimo apoiante de todas as suas políticas. Revejo-me na perspectiva política do Sr. Professor. Uma social-democracia justa e livre. Como disse à Comunicação Social o Professor Pacheco Pereira, “cortar a voz a um crítico é algo de muito preocupante”.
Estou consigo. Aproveito para lhe convidar, na qualidade de Presidente do Núcleo de Estudantes de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores, para uma Aula Aberta, quando vier a Ponta Delgada.
Sem outro assunto de momento,
Miguel Maurício
Ponta Delgada, 6 de Outubro de 2004
Caríssimo Sr. Professor,
É com muita indignação que soube que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa já cessou a sua participação no Jornal Nacional na TVI aos domingos com os seus sábios comentários.
Chamo-me Miguel Maurício, sou estudante universitário de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores e tenho 26 anos.
Silenciar uma pessoa como o Sr. Professor é sintoma que algo não corre bem neste nosso Portugal, Estado de Direito democrático. Temo que o Estado Novo, na sua expressão de controlador da opinião das pessoas, regressou neste governo de Santana Lopes.
Não tenho problemas em dizer-lhe que sou militante do PSD. Mas isso não faz de mim um acérrimo apoiante de todas as suas políticas. Revejo-me na perspectiva política do Sr. Professor. Uma social-democracia justa e livre. Como disse à Comunicação Social o Professor Pacheco Pereira, “cortar a voz a um crítico é algo de muito preocupante”.
Estou consigo. Aproveito para lhe convidar, na qualidade de Presidente do Núcleo de Estudantes de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores, para uma Aula Aberta, quando vier a Ponta Delgada.
Sem outro assunto de momento,
Miguel Maurício
domingo, outubro 03, 2004
Minha Vida Sem Mim
FUI VER ESTE FILME COMOVENTE COM A MINHA NAMORADA MARINA NA SALA 2 NO CENTRO COMERCIAL SOL-MAR EM PONTA DELGADA
Num curto espaço de tempo, Ann (Sarah Polley) descobre que tem cancro e pouco tempo de vida. O final fica claro desde o início, ela vai morrer. Mas a delicadeza com que o tema é abordado e a óptica da personagem perante a gravidade do assunto, rumam a um filme sensível e emocionante. Perece piegas até dizer que a visão da morte torna o filme sensível. No entanto é a maneira como tudo se desenrola, a força que uma mulher de 23 anos mostra para enfrentar o desconhecido e ainda assim estar inteira.
Ann tem uma vida simples, é casada com Don (Scott Speedman), tem duas pequenas filhas e mora numa rolote no quintal da casa da sua mãe. O pai (Alfred Molina) está preso. Seu emprego noturno de limpezas numa faculdade sustenta tudo isso. Ao receber a notícia sobre a doença o seu mundo abre-se ao invés de desmoronar. O seu olhar para o mundo descobre quantas coisas devem ser aproveitadas e descobertas, e então ela prepara-se para a partida. Procura viver intensamente, novas experiências e tornar a vida de cada um que ama melhor quando ela já não estiver por perto. Minha Vida sem Mim retrata exactamente a vida que ela prepara ao seu redor para a felicidade na sua ausência.
É nos braços de outro amor, Lee (Mark Ruffalo), que ela busca refúgio silencioso para a sua dor e solidão. Resultado inevitável da escolha de não dividir seu problema. Seu aliado é um médico tímido, que busca compreender seus sentimentos e ajudá-la.
Com produção de “El Deseo”, empresa produtora de Pedro Almodóvar, a directora Isabel Coixet, inspirou-se num conto, “Pretending the bed is a Raft” de Nanci Kincaid. Mas com a decisão radical de mudar o clima da história, do calor para o frio. Por isso e também pela diminuição de custos a escolha foi o Canadá como cenário.
Claro que é um filme triste, no entanto a beleza está sempre presente. E a personalidade de Ann dá-nos uma lição maravilhosa. Por que esperar a data da morte para seguirmos adiante em direcção daquilo que pode nos fazer mais feliz?
Num curto espaço de tempo, Ann (Sarah Polley) descobre que tem cancro e pouco tempo de vida. O final fica claro desde o início, ela vai morrer. Mas a delicadeza com que o tema é abordado e a óptica da personagem perante a gravidade do assunto, rumam a um filme sensível e emocionante. Perece piegas até dizer que a visão da morte torna o filme sensível. No entanto é a maneira como tudo se desenrola, a força que uma mulher de 23 anos mostra para enfrentar o desconhecido e ainda assim estar inteira.
Ann tem uma vida simples, é casada com Don (Scott Speedman), tem duas pequenas filhas e mora numa rolote no quintal da casa da sua mãe. O pai (Alfred Molina) está preso. Seu emprego noturno de limpezas numa faculdade sustenta tudo isso. Ao receber a notícia sobre a doença o seu mundo abre-se ao invés de desmoronar. O seu olhar para o mundo descobre quantas coisas devem ser aproveitadas e descobertas, e então ela prepara-se para a partida. Procura viver intensamente, novas experiências e tornar a vida de cada um que ama melhor quando ela já não estiver por perto. Minha Vida sem Mim retrata exactamente a vida que ela prepara ao seu redor para a felicidade na sua ausência.
É nos braços de outro amor, Lee (Mark Ruffalo), que ela busca refúgio silencioso para a sua dor e solidão. Resultado inevitável da escolha de não dividir seu problema. Seu aliado é um médico tímido, que busca compreender seus sentimentos e ajudá-la.
Com produção de “El Deseo”, empresa produtora de Pedro Almodóvar, a directora Isabel Coixet, inspirou-se num conto, “Pretending the bed is a Raft” de Nanci Kincaid. Mas com a decisão radical de mudar o clima da história, do calor para o frio. Por isso e também pela diminuição de custos a escolha foi o Canadá como cenário.
Claro que é um filme triste, no entanto a beleza está sempre presente. E a personalidade de Ann dá-nos uma lição maravilhosa. Por que esperar a data da morte para seguirmos adiante em direcção daquilo que pode nos fazer mais feliz?
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